Wilson diz que vai zerar filas em hospitais e duplicar AM-10 em trechos perigosos

Em entrevista à REDE DIÁRIO, nesta terça, o governador eleito também afirmou que vai identificar em quais secretarias há gastos desnecessários para honrar compromissos com categorias, como a dos professores e dos policiais

Eliena Monteiro / redacao@diarioam.com.br

Manaus – O governador eleito no Amazonas, Wilson Lima (PSC), afirmou nesta terça-feira (30) que pretende zerar filas em hospitais com mutirões e reduzir gastos desnecessários em secretarias para honrar compromissos com categorias, como a dos professores e dos policiais. As declarações foram feitas em entrevista à RÁDIO DIÁRIO, da REDE DIÁRIO DE COMUNICAÇÃO (RDC). Wilson destacou, ainda, que vai duplicar a AM-010, nos trechos considerados perigosos. Sem revelar os nomes das pessoas que vão compor o secretariado, Wilson afirmou que fará coletiva de imprensa, ainda nesta terça, para apresentar sua equipe de transição.

Segundo o governador eleito, um dos membros do grupo será o deputado estadual Luiz Castro (Rede), que junto com o vice-governador eleito, o defensor público Carlos Almeida (PRTB), formaram a coligação ‘Transformação por um Novo Amazonas’. “A gente, naturalmente, vai comunicar a imprensa sobre esses nomes que irão comandar esse processo transição”, disse. “O general da reserva Franklimberg, que foi chefe do Centro de Operações do Comando Militar da Amazônia, é amazonense, é alguém que conhece a Amazônia, e do ponto de vista estratégico”, completou.

O governador eleito, Wilson Lima, concedeu entrevista à RÁDIO DIÁRIO, na manhã desta terça-feira (Foto: Sandro Pereira)

Questionado sobre como fará para honrar com pagamentos, sem deixar de cumprir o limite prudencial do Estado, Wilson disse que vai procurar o equilíbrio entre de gastos entre as secretarias, seguindo as demandas de cada uma.
“É preciso saber onde é que estão sendo feitos gastos desnecessários, identificar aqueles locais onde tem gente demais. Hoje, a gente tem um déficit muito grande nas forças de segurança, Polícia Militar, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros, e tem secretaria que tem gente demais. A gente precisa fazer essa identificação, precisa ter a coragem necessária para fazer o que tem que ser feito, pra que a gente possa honrar esses compromissos: cumprir data-base, cumprir o plano de cargos; carreiras e salários dos professores; fazer a promoção da polícia; cumprir o escalonamento da Polícia Civil e outros compromissos que foram feitos pelo Governo do Estado”, afirmou.

Distrito Industrial

Sobre as condições das ruas que dão acesso ao Distrito Industrial de Manaus, Wilson afirmou que sempre foi um dos críticos mais “ferrenhos” dos problemas de infraestrutura da área. “Eu tenho muita disposição, na medida em que for permitido pelo Governo do Estado, na medida em que for permitido no orçamento, em recuperar  aquelas ruas, fazendo parceria com a Suframa, com a Prefeitura de Manaus”, afirmou.

Saúde

O governador eleito, Wilson Lima, concedeu entrevista à RÁDIO DIÁRIO, na manhã desta terça-feira (Foto: Sandro Pereira)

Na área da Saúde, o governador eleito destacou que ainda vai conversar com as cooperativas que prestam serviços ao Estado e que uma de suas medidas é zerar filas em unidades de saúde.

“Em algum momento, a gente vai sentar, sim, com a nossa equipe de transição, para saber como estão essas situações. O trabalho que essas cooperativas fazem é um trabalho fundamental, até porque estão nas unidades hospitalares. São cooperativas de médicos, enfermeiros. E a questão da Saúde é algo que eu tenho uma preocupação muito grande, inclusive um dos primeiros compromissos é zerar fila, porque eu não aguento mais as pessoas à espera de um exame, à espera de um procedimento cirúrgico. Para isso, a gente vai fazer mutirões, parceria com a iniciativa privada, locação de espaços, terceiro turno, a exemplo do que aconteceu em São Paulo. Vai ter que encontrar uma saída para resolver o problema desse povo e isso é compromisso meu. Eu não vou sossegar enquanto isso não aconteça”, disse.

Em relação a desvios de recursos envolvendo os serviços de saúde, Wilson Lima destacou que vai buscar fazer um governo com um quadro de pessoas “honestas” e que, atualmente, não há falta de recursos, mas desperdícios com a gestão nessa área.

“Primeira medida nossa é colocar gente honesta no governo. É colocar gente honesta, gente comprometida na Secretaria de Saúde [Susam]. O grande problema da Saúde não é a falta de recursos. Claro que não dá pra resolver tudo do dia pra noite. O grande problema da Saúde é falta de gestão. Falta gestão. Há um desperdício muito grande, hoje, na saúde. Por exemplo, um paciente que procura uma unidade hospitalar para fazer um procedimento para tirar um raio-x, quando ele sai dali, três ou quatro dias depois, ele procura um hospital. Lá, ele vai ter que repetir toda a historinha, vai ter dizer tudo o que está sentindo. E aí corre o risco dele repetir o mesmo procedimento, repetir o mesmo exame”, disse.

O governador eleito, Wilson Lima, concedeu entrevista à RÁDIO DIÁRIO, na manhã desta terça-feira (Foto: Sandro Pereira)

Wilson Lima afirmou que a falta de gestão impede o repasse de verbas federais ao Estado para a área da Saúde. “Hoje, algumas unidades estão informatizadas, mas essas unidades não se comunicam. Não há comunicação entre elas. Não há, por exemplo, um prontuário eletrônico do paciente, não se tem controle do paciente que entra ali. Há esse desperdício que eu mencionei e há a falta de cobrança junto ao governo federal desse procedimento que foi feito lá, ou seja, a gente deixa de recolher porque a gente não presta contas junto ao governo federal. E isso é fundamental porque o governo repassa recursos de acordo com a nossa demanda. Olha: se eu atendi dez pacientes aqui, eu vou receber referente a esses dez pacientes; se eu recebi 20, mas eu só informei dez, eu vou receber relativo só a esses dez. Eu vou ficar com déficit de 50%. Então, vai faltar dinheiro no meu caixa”, explicou.

Obras em rodovias

De acordo com o governador eleito, as obras nas rodovias estaduais vão depender estações climáticas regionais. “Depende de sol e muita boa vontade. A gente vai trabalhar. Claro, tem que entender as limitações que nós temos diante de período chuvoso na Amazônia, mas a gente vai trabalhar para que isso, efetivamente, aconteça. Várias vezes, estive passando pela AM-070 [que liga Manaus a Iranduba e Manacapuru] e acompanhando o serviço de terraplanagem que está bem adiantado e o que for possível, a gente vai fazer para concluir aquela obra, que é fundamental para o desenvolvimento daquela região, é fundamental aqui para Manaus. Também trabalhar na AM-010 [que liga Manaus a Itacoatiara], para duplicar os trechos mais perigosos, colocar uma terceira via onde for possível, colocar sinalização vertical e horizontal e fazer a manutenção dessa estrada durante o ano todo, porque isso aí é fundamental para aquela região de Itacoatiara. É uma região estratégica, dada à região portuária. Tem um porto ali da Amaggi, que traz os grãos do Mato Grosso. E isso é fundamental para o desenvolvimento da nossa região e a gente está muito atento a essas situações”, afirmou.

Vida profissional

A entrevista na RÁDIO DIÁRIO começou com uma apresentação da carreira de Wilson Miranda Lima, 42, que é formado em jornalismo. Ele nasceu na cidade de Santarém (PA), em 26 de junho de 1976. É casado, pai de dois filhos. Seus pais, nordestinos, mudaram para o Amazonas em busca de melhorias, nos anos de 1970.

Na entrevista, Wilson informou que começou a vida profissional no rádio, aos 15 anos. “Também vim do interior. Também superei dificuldades para chegar à capital. Tudo na minha vida foi conquistado com muito trabalho, com muito sacrifício, mas de forma muito honrada e me orgulho muito de falar de tudo isso”, disse o apresentador.

Wilson contou que também morou no garimpo do Crepurizinho, no Pará. “Meus avós vieram para o Amazonas, no final da década de 60. E o meu pai foi o único que foi para o Pará. E fugindo da seca, em busca das riquezas da Amazônia, meu pai foi em busca do ‘tal Eldorado’, e foi para aquela região, para o garimpo. Lá, conheceu minha mãe. Se casaram. Eu fui no município de Santarém (PA) só nascer. E aí retornei para o garimpo. Lá, morei cinco anos. Eu não trabalhei no garimpo. Meu pai trabalhou no garimpo, mas convivi com os garimpeiros. Toda aquela movimentação ali, conheci de perto. As ilusões, as desilusões. Gente que tirou um barranco de 30 kg de ouro num dia, gente que perdeu tudo do dia pra noite. Aí, eu me mudei para Itaituba, que é uma cidade próxima dessa região de garimpo e, lá, eu lembro da época do Bamerindos, de ver pessoas passando com sacos de dinheiro, um negócio assim surreal. A atividade garimpeira era tão grande, naquela região, que havia muitas lojas de compra de ouro, que tinham pessoas que iam para as portas das lojas para garimpar, pra bateiar aquela areia que ficava na sarjeta. Um negócio impressionante”, disse.

Wilson contou que chegou a começar a cursar Letras, mas não deu continuidade. “Não era o que eu queria. “Depois, fiz um curso de gestão em jornalismo, mas era um curso de dois anos, porque não tinha, efetivamente, a graduação. Fiz também o curso de gestão turística. Tive a oportunidade, aqui em Manaus, de fazer, efetivamente, o curso de jornalismo, que era o que me encantava. Meu sonho sempre foi continuar nos estudos. Tive a oportunidade de ser aluno especial da Universidade Federal do Amazonas [Ufam], no curso de Comunicação Social, mas também não teve como eu dar continuidade por causa de outros compromissos. Acabei ficando muito frustrado porque não tive como continuar”, relatou.

Ele afirmou que sempre gostou de estudar idiomas. “Aos 13 anos de idade, eu comecei a estudar inglês. Tive a oportunidade de fazer intercâmbio e comecei a estudar alemão, comecei a estudar francês, italiano, espanhol, mas foram coisas que eu nunca consegui avançar porque sempre tinha outras responsabilidades”, destacando que tornou-se pai aos 19 anos de idade, e que sempre se mantém informado por meio do noticiário.

O governador eleito afirmou que nunca teve pretensão de ocupar cargos. “Mas, eu sempre tive ideais. Sempre entendi que eu poderia dar uma contribuição para a sociedade. No momento em que a gente começa a ser uma pessoa pública. No momento em que a gente começa a ocupar um espaço desse de comunicação de massa, a gente passa a ser portador da vontade de uma parcela considerável da sociedade. E aí você começa a entender o quanto as pessoas sofrem, o quanto as pessoas têm necessidade de serem ouvidas”, disse, referindo à atuação como apresentador de programa de televisão.

“Chega um momento em que você é cobrado. Chega o momento que você não pode mais continuar só mostrando, só reclamando. E você tem a oportunidade de fazer, efetivamente, alguma coisa. Por isso que eu coloquei meu nome à disposição ao Governo do Estado do Amazonas”, completou.

O jornalista se filiou a partido político, pela primeira vez, em 2012.”Me convidaram para ser candidato. Em 2014, mais uma vez, me convidaram para ser candidato. Naquele momento, eu não me achava preparado ainda para encarar esse desafio. Quando foi em 2016, houve aquele ensaio, que eu cheguei a ser anunciado em convenção, mas, efetivamente, não concorri. Mas, entendi, ali, que eu poderia dar essa contribuição”, disse.

Wilson diz que vai zerar filas em hospitais e duplicar AM-10

Wilson diz que vai zerar filas em hospitais e duplicar AM-10.

Posted by D24am on Tuesday, October 30, 2018