Ex-primeira dama escondeu documentos e produtos de crime, diz MPF

No dia 23 de dezembro, um dia antes do cumprimento do mandado de busca na empresa Para Guardar, Edilene foi até o local e retirou materiais que eram objetos de busca e apreensão da PF

Gisele Rodrigues / redacao@diarioam.com.br

Manaus – Para esconder documentos e produtos de crime, a ex-primeira dama do Estado, Edilene Gomes de Oliveira, acompanhada de dois parentes, arrombou dois boxes de uma empresa de armazenamento, na Avenida Torquato Tapajós e retirou materiais que eram objetos de busca e apreensão da Polícia Federal (PF). O casal ainda foi acusado pelo Ministério Público Federal (MPF) de perseguir e ameaçar testemunhas.

A informação consta na decisão que a juíza federal Jaiza Fraxe concedeu, durante o plantão desta última quarta-feira (3), pedindo a prisão preventiva de Edilene e do ex-governador cassado José Melo.

Segundo a apuração da PF, as chaves dos boxes alugados pelo casal estavam sob posse da delegacia. No dia 23 de dezembro, um dia antes do cumprimento do mandado de busca na empresa Para Guardar, Edilene foi até o local. Fotografias anexadas ao processo mostram a ex-primeira dama deixando a empresa com caixas na mão.

A ex-primeira dama do Estado Edilene Oliveira, acompanhada de dois familiares, na empresa de depósitos Para Guardar (Foto: Divulgação/MPF)
A ex-primeira dama do Estado Edilene Oliveira, acompanhada de dois familiares, na empresa de depósitos Para Guardar (Foto: Divulgação/MPF)

O MPF concluiu no parecer entregue à Justiça Federal que tanto José Melo, quanto sua esposa “descobriram clandestinamente datas, locais e pessoas”, que seriam ouvidas pelo órgão.

Ainda de acordo com o Ministério Público Federal, uma caminhonete branca, usada pelo segurança de Melo, foi utilizada para perseguir as testemunhas, segundo apontou o relatório do MPF à Justiça Federal. O veículo geralmente era usado pelo segurança, mas também pela ex-primeira dama, segundo o MPF.

Defesa classificou a decisão como extremista

Na sede da PF, o advogado de defesa do casal, José Carlos Cavalcanti Jr., relativizou o arrombamento dos boxes que estavam sob a tutela da PF. “Essa questão está sendo levada ao extremo pela justiça. Questões simples como ir buscar material para a própria empresa está sendo conduzida como uma tentativa de obstrução da justiça, pelo simples fato de se ter ido a um depósito, cujas chaves foram entregues por eles para a polícia”, disse ele que chegou às 7h na sede da PF, no bairro Dom Pedro.

Conforme a defesa, a ex-primeira dama já havia dado esclarecimentos sobre a ida à empresa de armazenamento, informando para a polícia que estava buscando apenas ceras de depilação de sua empresa o salão Beleza Rápida, também alvo de mandado de busca e apreensão pela PF, no mês passado.

“Ela (Edilene) prestou esclarecimento sobre este fato (ida ao depósito da empresa) que não representa nada além do que uma empresária indo buscar material para sua empresa. Isso está sendo tratado pelo MPF e pela polícia como uma tentativa de destruir provas. Só se a prova for a cerca de depilação da empresa dela”, declarou.