Indicação de Hanan à Cigás sofre críticas

A indicação de Samuel Assayag Hanan deve ser a principal pauta a ser destacada, com críticas, por deputados de oposição na Assembleia Legislativa do Estado (ALE), nesta semana

Édria Caroline / redacao@diarioam.com.br

Manaus – A indicação do empresário Samuel Assayag Hanan, ex-vice-governador, ex-secretário da Fazenda e sócio do governador do Amazonas Amazonino Mendes (PDT) para presidente do conselho administrativo da Companhia de Gás do Estado (Cigás) deve ser a principal pauta a ser destacada, com críticas, por deputados de oposição na Assembleia Legislativa do Estado (ALE), nesta semana.

De acordo com documento da Junta Comercial de São Paulo (Jucesp), Amazonino é sócio de Hanan na SMD Consultoria Ambiental e Empresarial Ltda., com capital social de R$ 400 mil. Também são sócios da empresa Marcelo Falcone Hanan e Daniel Falcone Hanan.

A reportagem tentou ouvir o governador, via Secretaria de Estado de Comunicação Social (Secom), que não respondeu sobre a sociedade. A Secom informou, apenas, que não havia decisões do governo sobre mudanças na direção da Cigás.

O deputado estadual Serafim Corrêa (PSB) afirmou, neste domingo, que a indicação de Hanan não é correta e que o governador está misturando o público com o privado. “Já foi um equívoco da outra vez o Amazonino ter vendido 83% das ações preferenciais da Cigás, no ‘apagar das luzes’ do seu outro governo, para o senhor Carlos Suarez, o “S” da Construtora OAS, por R$ 1,5 milhão, na bacia das almas, que dirá agora, vender o controle acionário com o sócio do governador conduzindo o processo”, afirmou.

Governador é sócio de Samuel Hanan na SMD Consultoria (Foto: Sandro Pereira)

Serafim disse, ainda, que espera que o Ministério Público do Estado (MPE) “acorde desse sono profundo, sob pena de ser conivente”. O deputado adiantou que levará o debate sobre a indicação de Hanan ao plenário da ALE, nesta terça-feira.

O deputado Platiny Soares (PSL) chamou a indicação de “imoral”. “Atos do governador Amazonino Mendes praticados, hoje, com a cabeça de quem está no século passado, são completamente imorais, a ponto de botar uma empresa prestadora de serviços do Estado para fazer o muro da sua casa, botar o seu sócio comandando um processo de tentativa de privatização da Cigás. São os mesmo atores para uma novela diferente”, afirma Platiny.

O deputado José Ricardo (PT) considera “um absurdo” o sócio do governador do Amazonas ser indicado ao cargo. “O governador acha que ele pode fazer o que bem entende. Ele (Hanan) já atrapalhou o desenvolvimento do Amazonas uma vez, não dá pra ficar a mercê de pessoas que não se interessam pela população”, declarou o deputado. José Ricardo se refere à privatização da Companhia de Saneamento do Amazonas (Cosama), durante a gestão de Amazonino, no ano 2.000, quando Samuel Hanan era vice-governador.

Sem surpresa

O presidente da ALE, deputado David Almeida declarou que a indicação não lhe causou nenhuma surpresa, tendo em vista que, em novembro do ano passado, ele fez um alerta na tribuna da Casa Legislativa sobre o fato que se consolidou agora. “Só para lembrar, que em novembro do ano passado, fiz um alerta, dizendo que isso iria acontecer. Há mais de 20 anos é assim que ele (Amazonino) governa: prega o caos logo que assume o cargo com objetivo de privatizar. Fez isso com o antigo Banco do Estado do Amazonas (BEA), com a Cosama e a Ceam (Centrais elétricas do Estado). Agora, ele tenta fazer o mesmo com a Cigás, uma das poucas empresas estatais que o Amazonas ainda possui”, afirmou.

Amazonino indicou Hanan para a presidência do Conselho de Administração da Cigás no momento em que a empresa está passando pelo segundo processo de privatização, que deve envolver valores próximos a R$ 1 bilhão. Hanan comandou, no governo de Amazonino, em 2002, o polêmico processo de privatização do serviço de água de Manaus, que ficou conhecido como ‘venda da Cosama’.