Maduro não será bem-vindo à Cúpula das Américas, diz governo peruano

O rechaço oficial foi primeiramente anunciado pela ministra peruana de Relações Exteriores, Cayetana Aljovín, logo após uma reunião em que os representantes dos países-membros do chamado Grupo de Lima

Agência Brasil / redacao@diarioam.com.br

Brasília – O governo peruano anunciou na noite desta terça-feira (13) que o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, não será bem-vindo à próxima Cúpula das Américas, evento que acontecerá em Lima em 13 e 14 de abril.

O rechaço oficial foi primeiramente anunciado pela ministra peruana de Relações Exteriores, Cayetana Aljovín, logo após uma reunião em que os representantes dos países-membros do chamado Grupo de Lima discutiram a situação política na Venezuela e a decisão do Conselho Nacional Eleitoral da Venezuela de antecipar as próximas eleições presidenciais para 22 de abril.

O presidente peruano Pedro Pablo Kuczynski disse em sua conta em uma rede social que a presença de Nicolás Maduro “não é bem-vinda” (Wilsom Dias/Agência Brasil)

Na sequência, o presidente Pedro Pablo Kuczynski usou sua conta pessoal para reforçar a posição. “Considerando a atual situação na Venezuela, meu governo decidiu que a presença do presidente Maduro na 8ª Cúpula das Américas já não é bem-vinda”, escreveu Kuczynski, acrescentando contar com o respaldo do Grupo de Lima. A Declaração de Quebec, assinada em 2001 na Cúpula da Organização dos Estados Americanos (OEA), reafirma os esforços pela integração regional, também respalda a decisão, segundo o líder peruano.

“Este documento assinala que qualquer alteração ou ruptura inconstitucional da ordem democrática em um Estado (membro) é um obstáculo insuperável para que este participe de qualquer (fase) da Cúpula das Américas”, acrescentou Kuczynski.

Cúpula de Lima

Em uma declaração conjunta, os representantes da Argentina, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, Guatemala, Guiana, Honduras, México, Panamá, Paraguai, Peru e Santa Lúcia presentes à reunião do Gupo de Lima rechaçaram a decisão da Venezuela de antecipar as eleições presidenciais, sem que um acordo houvesse sido alcançado com a oposição política.

Para os signatários da nota, a decisão “impossibilita a realização de eleições presidenciais democráticas, transparentes, confiáveis, com a participação de todos os atores políticos venezuelanos e com observação e padrões internacionais”.

Para os representantes dos diversos países do continente americano reunidos na capital peruana, qualquer que seja o resultado, uma eleição realizada nestas circunstâncias carecerá de “legitimidade e credibilidade”.

“Não pode haver eleições livres e justas com presos políticos, sem a plena participação dos partidos políticos e líderes presos ou inabilitados arbitrariamente, com uma autoridade eleitoral controlada pelo governo, sem a participação de milhões de venezuelanos que, no exterior, (estão) impossibilitados de votar”, acrescentam os chanceleres e representantes dos 14 países, para quem o governo venezuelano deveria reconsiderar a convocatória das eleições presidenciais.

O documento também assinala a preocupação do grupo com o que classifica como “a crescente deterioração da situação humanitária” na Venezuela, a cujo governo incita que permita a abertura de um “corredor humanitário que ajude a mitigar os graves efeitos do desabastecimento de alimentos e de remédios”.

Ao chegar à reunião, o chanceler chileno afirmou que o objetivo do encontro era “passar uma mensagem muito clara do que pensa a maioria da comunidade latino-americana que está reunida neste Grupo de Lima” sobre as próximas eleições, nas quais o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, tentará a reeleição. “As eleições que Maduro convocou unilateralmente não cumprem com nenhuma das condições nem garantias de uma eleição democrática, livre e transparente”, disse Muñoz.

Em janeiro, o Grupo de Lima já tinha manifestado sua rejeição à convocação de eleições antecipadas na Venezuela, por considerar que não há garantias de um processo adequado.



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