Maioria na Região Norte prefere o voto a protestos

O dado é acima da média do País, em que pesquisa da Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getulio Vargas indica que a via eleitoral é, para a maioria, a melhor saída para os problemas

Álisson Castro/Redacao@diarioam.com.br

Manaus – Para 68% dos eleitores das regiões Norte e Centro-Oeste, mais importante do que protestar nas ruas é votar nas eleições, revela um estudo da Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV-DAPP) publicado, ontem, pelo site do jornal O Globo. Ainda nas regiões Norte e Centro-Oeste, 12% dos pesquisados não concordam com que o voto é mais importante que protesto nas ruas.

O dado é acima da média do País, em que a pesquisa indica que a via eleitoral é, para a maioria dos brasileiros, a melhor saída para os problemas do País: 65% concordaram com a frase ‘mais importante do que protestar nas ruas é votar nas eleições’, indica o estudo intitulado ‘O dilema do brasileiro: entre a descrença no presente e a esperança no futuro’.

Em relação à afirmação de que a ‘política no Brasil impede que apareça um líder honesto e comprometido com a mudança para o povo’, 67% das pessoas ouvidas nas regiões Norte e Centro-Oeste concordam com este frase. No mesmo item, 9,7% discordam da afirmação de que a política no País impede o surgimento de um líder honesto. No País, 63% dos brasileiros concordam com a assertiva.

Ainda nas regiões Norte e Centro-Oeste, 12% dos pesquisados não concordam com que o voto é mais importante que protesto nas ruas ( Foto: Nilton Fukuda/Estadão)

Questionados se, caso tivessem oportunidade, votariam ou não nos mesmos candidatos das últimas eleições para presidente da República, 60,1% dos eleitores das regiões Norte e Centro-Oeste afirmaram que não repetiriam o voto da eleição anterior de 2014 e 33,6% disseram que manteriam os votos nos mesmos candidatos da última eleição presidencial. Ainda em relação ao item, 55% dos brasileiros responderam que não repetiriam o voto da eleição de 2014 para presidente e 38,4% disseram que votariam nos mesmos candidatos

O estudo revela descrédito na política, com 30,2% dos eleitores das regiões Norte e Centro-Oeste afirmando que pretendem votar em branco ou nulo  nas eleições do próximo ano. Outros 30,2% das regiões afirmaram que devem votar em candidatos novos ou fora da política tradicional. Ainda no mesmo questionamento, 15,3% disseram que votarão em algum candidato independente do partido em que este estiver filiado e outros 14,6% responderam a intenção de votar nos candidatos de seus partidos de preferência.

Em relação à confiança na classe política, o estudo mostra que os eleitores das regiões Norte e Centro-Oeste mantém desconfiança verificada nas demais regiões do País. Entre os entrevistados no Norte e Centro-Oeste, 78,9% afirmam não confiar no presidente Michel Temer e 6,8% afirmaram confiar no presidente da República. A falta de confiança afeta também os partidos políticos para quem 75,7% dos pesquisados nas regiões Norte e Centro-Oeste não têm confiança e apenas 5,2% dos questionados afirmaram confiar nos partidos.

Em outro questionamento do estudo, a desconfiança chega aos atuais políticos eleitos que não têm a confiança de 78% dos entrevistados nas duas regiões e mantêm a confiança de 5,2% dos eleitores das regiões Norte e Centro-Oeste.

Entre as 1.568 pessoas entrevistadas em todo o país, 83% afirmaram não confiar no presidente da República (Michel Temer, o levantamento não fez a referência nominal); 79% disseram desconfiar dos políticos eleitos; e 78% reforçaram que não confiam nos partidos.

Ainda que o estudo revele uma imagem negativa do ambiente político, a pesquisa  demostra otimismo com o futuro do país. A pesquisa perguntou se nos próximos cinco anos os entrevistados diriam que sua qualidade de vida vai estar melhor, igual ou pior que hoje? Quanto a esta questão, 64,3% dos eleitores das regiões Norte e Centro-Oeste acreditam que estará melhor, 13,3% disseram que estará pior e 12,3% acreditam que estará igual.

Redes Sociais

Um outro levantamento da Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getulio Vargas (FGV-DAPP), feito a pedido do jornal O Globo, mostra que, a um ano da eleição, o processo eleitoral já vem sendo amplamente discutido nas redes sociais. Entre 1º de julho a 6 de outubro, foram aproximadamente 44.500 menções ao tema. A discussão sobre as pré-candidaturas domina as discussões, com quase um terço das referências (31,7%). Contribuiu para a predominância o fato de alguns dos possíveis candidatos, como Lula, Bolsonaro e Doria, terem se antecipado ao calendário eleitoral oficial e estarem viajando pelo País e participando de eventos com caráter pré-eleitoral, o que provoca repercussões.

Em seguida, com 28%, aparece a reforma política, amplamente debatida por Câmara dos Deputados e Senado nas últimas semanas – o presidente Michel Temer sancionou o texto na sexta-feira,6. Dentro deste tema, financiamento de campanha (um fundo público de cerca de R$ 2 bilhões foi criado pelos parlamentares) e o voto impresso foram os assuntos mais debatidos.

Depois da reforma, a operação Lava Jato (24,8%) e debates relacionados à corrupção (12,6%) completam a lista, aponta o levantamento.



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