MP entra com nova ação e cobra R$ 5 mi de Walzenir Falcão por suspeita de desvios

Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado entra com ação contra dirigentes da Fepesca e proprietários de empresas de fachada por suspeita de desvio de verbas públicas

Da Redação / redacao@diarioam.com.br

Brasília – Uma nova denúncia contra membros da Federação de Pescadores dos Estados do Amazonas e Roraima (Fepesca) foi ajuizada pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Amazonas (MP-AM). A ação por desvios de R$ 5 milhões é contra ex-deputado estadual Walzenir Falcão, além de dois integrantes da entidade e outros proprietários de empresas de fachada.

A ação é contra Walzenir Falcão, além de dois integrantes da Fepesca e proprietários de empresas de fachada (Foto: Sandro Pereira)

Walzenir de Oliveira Falcão, Marcos dos Santos Bindá, Emilton José de Siqueira, Raimundo Nonato Moraes Brandão e Pedro Antônio de Oliveira foram denunciados pela prática reiterada do crime de peculato, segundo o órgão ministerial, que pediu o sequestro de bens.

Os desvios e apropriações de dinheiro público se davam por meio de operações bancárias e financeiras praticadas a partir das contas-correntes da Fepesca, após o depósito feito pelo Estado do Amazonas dos valores correspondentes aos convênios firmados.

Peculato

Peculato é crime cometido por funcionário público e constitui na apropriação ou desvio de dinheiro, valor ou qualquer outro bem móvel, público ou particular, de que tenha a posse em razão do cargo, em proveito próprio ou alheio.

Os denunciados ocupavam cargos na Fepesca e se enquadram no conceito de funcionário público por equiparação. Apesar de ser um crime que exige uma qualidade especial do sujeito ativo, é possível a participação de particular desde que o Artigo 30 do Código Penal se concretize, isto é, quando essas condições são elementares do crime e o particular tem conhecimento da referida condição.

Visando assegurar a reparação do dano ao erário estadual, além da condenação dos réus pelos crimes de peculato, o MP-AM requer que o sequestro de bens recaia sobre todos os bens dos denunciados, ainda que adquiridos em período anterior aos fatos e mesmo que de origem lícita, até o valor dos crimes cometidos.

Para Walzenir Falcão, o pedido de sequestro de bens é de R$ 5 milhões. Para Raimundo Moraes Brandão, o sequestro de bens chega a R$ 3,4 milhões e, para Pedro Antônio de Oliveira, é de R$ 2,1 milhões.

Operação Traíra

Assinada pelos promotores de Justiça Alessandro Samartin de Gouveia, Leonardo Tupinambá do Valle e Stella Litaiff Isper Abrahim, a denúncia é desdobramento da operação Traíra, deflagrada em dezembro de 2017, para desarticular a organização criminosa que fraudava convênios firmados entre o Estado do Amazonas, por meio da Secretaria de Estado do Trabalho (Setrab) e a Fepesca, no período de 2009 a 2014.

A nova denúncia toma por base o Procedimento Investigatório Criminal nº 009/2017 Gaeco e se restringe às irregularidades encontradas nos convênios 002/2012, 004/2012, 002/2013, 002/2014 e 005/2014, sem prejuízo à continuidade das investigações relativas a outros três convênios firmados entre 2009 e 2011.

A então secretária de Trabalho do Estado, Iranildes Gonzaga Caldas, não foi denunciada em virtude da prescrição dos fatos relacionados à atuação dela frente à Setrab. Da mesma forma, ela e Maria Franciente Correia de Lima, que também ocupou o cargo de secretária estadual do trabalho, não foram denunciadas pela falta de elementos que comprovassem a prática do crime de corrupção passiva.