PMs fazem protesto contra o Governo e ameaçam ‘falta coletiva’

A partir deste sábado, os militares deixaram de realizar diligências e ações de busca e apreensão. Medida ocorre após o Governo propor fim de promoção por tempo de serviço

Édria Caroline / redacao@diarioam.com.br

Manaus – Militares do Amazonas deram início à ‘Operação Defesa’, de produtividade zero, neste sábado (24), segundo o presidente da Associação de Cabos e Soldados (ACS) da Polícia e Corpo de Bombeiros Militar, cabo Igo Silva. Com a medida, os militares deixam de realizar diligências e ações de busca e apreensão. Eles afirmam, ainda, que as prisões só serão feitas em flagrante. A medida foi adotada em assembleia, após parecer da Procuradoria Geral do Estado (PGE) que visa excluir a promoção de militares por tempo de serviço.

Cerca de 1.500 policiais e bombeiros militares estiveram presentes na Associação de Subtenentes e Sargentos, no bairro Flores, zona centro-sul de Manaus, na manhã deste sábado, em uma assembleia (Foto: Divulgação)

Cerca de 1.500 policiais e bombeiros militares estiveram presentes na Associação de Subtenentes e Sargentos, no bairro Flores, zona centro-sul de Manaus, na manhã deste sábado, em uma assembleia, onde foram definidas medidas a serem tomadas pela categoria em relação ao parecer da PGE, emitido no dia 9 deste mês.

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Os militares ameaçam impedir as atividades dos PMs, caso não haja acordo entre a categoria e o Governo do Estado até o dia 15 de março (Foto: Divulgação)

“Todas as viaturas vão cumprir o seu trabalho normalmente. Nós só não vamos correr atrás das ocorrências. Iremos apenas quando formos acionados, até que o governador (Amazonino Mendes) entenda e aceite as reivindicações da categoria”, disse o cabo Igo Silva.

O presidente da Associação dos Praças do Estado do Amazonas (Apeam), Gerson Feitosa, afirmou que os militares estão amparados pela legislação. “O Governo não vai fazer o que quer com os policiais. Temos uma legislação que nos garante direito te progredir na profissão, nossa data base, nosso fardamento e uma série de garantias. O governador quer fazer a população acreditar que está nos fazendo um favor. Negativo! O governador tem obrigação de cumprir a lei dos policiais”, disse.

Os militares ameaçam impedir as atividades dos PMs, caso não haja acordo entre a categoria e o Governo do Estado até o dia 15 de março. “Os policiais militares vão levar seus familiares para a frente dos quartéis para impedir a entrada e saída de viaturas”, afirmou o cabo Igo Silva.

O presidente da Apeam disse, ainda, que os militares ameaçam adotar “falta coletiva” em todo o Estado. “Em momento oportuno, faremos uma ação de falta coletiva, aonde todo o efetivo da PM vai faltar ao trabalho por três dias por motivo de doença. Ficar doente não é crime nenhum”, declarou Gerson.

“É importante deixar claro para a população que não queremos fazer greve, mas, infelizmente, o governo quer tirar a nossa lei de promoção. Nós queremos continuar fazendo o nosso trabalho da melhor maneira, mas se o governo não nos der condições pra isso, vai ficar difícil”, disse Igo Silva.

Na próxima quinta-feira (1º), a categoria vai participar de uma audiência pública na Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (ALE), às 9h, para cobrar justificativas em relação à reivindicação.

Em nota, o Governo afirmou que “tem mantido o diálogo com os servidores da segurança pública”. Segundo o Governo, entre as melhorias, está o anúncio feito nesta sexta-feira (23) para o pagamento das promoções de 1.180 PMs.

A nota diz, ainda, que, neste mês, foi pago o auxílio-fardamento aos policiais militares e bombeiros, no valor de R$ 2.275,00. “As duas categorias também tiveram o reajuste de 100% no auxílio-alimentação, que saiu de R$ 300 para R$ 600; e o aumento do auxílio-moradia, que também dobrou de valor, chegando a R$ 600”, diz trecho da nota.

O Governo também afirma, na nota, que as “promoções que ainda restam de 2016 e as de 2017 já estão sendo trabalhadas”.

***Colaborou assessoria de comunicação