Polícia federal aponta ‘caprichos’ de Edilene, mulher de José Melo

Construtor que reformou mansão adquirida por Melo revelou à PF que recebeu cerca de R$ 500 mil em dinheiro vivo “para custear” reforma do imóvel, “fruto dos caprichos da ex-primeira-dama”

Da Redação/redacao@diarioam.com.br

Manaus – Um dos oito construtores que reformaram a mansão adquirida em 2015 pelo ex-governador do Amazonas José Melo (2014/2017) em Manaus revelou à Polícia Federal (PF) que recebeu aproximadamente R$ 500 mil em dinheiro vivo “para custear” obra de reforma do imóvel, “fruto dos caprichos da ex-primeira-dama”, Edilene.
Melo e a mulher estão presos em regime preventivo, por ordem da juíza federal Jaiza Maria Pinto Fraxe, da 1ª Vara Federal de Manaus. A juíza acolheu os argumentos da PF e da Procuradoria da República – o casal estaria ocultando e destruindo provas de um esquema de desvios de R$ 50 milhões da área da Saúde.

Ex-primeira dama e ex-governador cassado José Melo estão presos. Foto: Sandro Pereira

O elo principal do ex-mandatário e dos empresários da Saúde teria sido o médico Mouhamad Moustafá, também alvo da operação Maus Caminhos e seus desdobramentos. Em sua decisão, a juíza observa que o ex-governador e a ex-primeira-dama “escolheram a pessoa de Mouhamad Moustafá para concretizar seu intento criminoso, a partir da constatação de que o médico é dotado de personalidade descaradamente desviada dos padrões normais de conduta compatível com a lei e a Constituição”.

O ex-governador teria recebido R$ 20 milhões em propinas de empresários do setor, durante sua gestão. Parte desse dinheiro teria sido destinada à compra de um imóvel de R$ 7 milhões e na reforma da mansão do casal.

Ao decretar a prisão preventiva do ex-governador e da mulher dele, a magistrada citou a organização social Instituto Novos Caminhos – suposto braço do esquema de desvios e repasse de propinas para Melo.

“A fonte do dinheiro em espécie utilizado para a reforma da mansão recentemente adquirida, pela óbvia conclusão a que cheguei, e não há como concluir de modo diverso, era exatamente o Instituto Novos Caminhos, de modo que todo o esquema montado para fraudar a Saúde do Estado do Amazonas, mediante o desvio das verbas federais repassadas, teve em José Melo e Edilene os seus idealizadores e líderes absolutos”, assinalou Jaiza Fraxe.

“Também constatei, conforme depoimento colhido na fase de inquérito, que era prática comum do casal José Melo de Oliveira e Edilene Gomes de Oliveira a guarda e utilização diária de grandes quantias em dinheiro vivo”, assinalou a juíza.

Pesou no decreto de prisão de Edilene relatório da PF com imagens que revelam sua ida à sede da empresa ‘Para Guardar’. Os investigadores suspeitam que Edilene retirou de dois boxes provas do esquema de desvios na Saúde.