Raquel Dodge apela para que assassinato de Marielle seja solucionado

A procuradora-geral da República abordou o assunto durante o 2º Seminário Internacional Brasil-União Europeia: 'Caminhos Para a Prevenção da Violência Doméstica Contra a Mulher'

Agência Brasil / redacao@diarioam.com.br

Brasília – A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, fez, nesta quarta-feira (5), um apelo para que o assassinato da vereadora Marielle Franco, morta em março deste ano, seja elucidado pelas autoridades. “Gostaria de que não nos esquecêssemos de lembrar do assassinato de Marielle nessa oportunidade, porque Marielle foi uma importante ativista e defensora de direitos humanos no seu estado (Rio de Janeiro)”, disse ela durante a abertura do 2º Seminário Internacional Brasil-União Europeia: ‘Caminhos Para a Prevenção da Violência Doméstica Contra a Mulher’, em Brasília

“Emprestou a sua voz em favor de populações mais excluídas e seu assassinato é uma expressão contra a mulher e contra a mulher negra que quer ocupar espaços de poder no nosso País e, portanto, necessita ser, o quanto antes, esclarecido”, afirmou.

A vereadora Marielle Franco foi morta em março deste ano (Foto: EFE/Mário Vasconcellos/Direitos Reservados)

Para a procuradora, a violência de gênero é um dos “temas difíceis de se tratar no Brasil” e, por ainda apresentar índices “assombrosos”, deveria se tornar uma bandeira de todos os brasileiros, que poderiam contribuir ao manifestar o que chamou de ” intolerância social” diante das agressões. Na avaliação da procuradora, a posição da sociedade sobre a questão passa pela formação em ambiente escolar.

“A violência doméstica é absolutamente inaceitável. É preciso registrar a intolerância de todos e cada um de nós, mas sobretudo uma intolerância social com essa prática, para que fomentemos uma atitude muito clara de que é necessário pôr um fim a ela e adotar medidas de educação de meninas e meninos para que tenham consciência de que atitudes como essa não são admitidas, não são concernentes com aquilo que é fundamental no que diz respeito à dignidade humana”, observou.

Raquel Dodge destacou que o Brasil é o quinto país com o maior número de assassinatos de mulheres por violência doméstica. Em 2015, os assassinatos de mulheres negras cresceram 54,2%, enquanto que o de brancas caiu 10%. “Os nossos índices são assombrosos e nos envergonham”.