Advogado se dispõe a defender professores que estão sendo coagidos por gestores

O professor e advogado Francisco Calheiros informou que já recebeu, nesta quinta-feira, cerca de 80 denúncias. “Haverá uma denúncia no MP e um processo contra o Estado”, disse

Manaus – Após receber relatos de professores em greve que estavam sendo coagidos por gestores, um advogado recebeu mais de 80 ligações de denúncias. O professor e advogado Francisco Calheiros fez uma publicação em seu perfil no Facebook se colocando a disposição da categoria para defendê-los, gratuitamente, de atos ao qual ele classifica como crime de improbidade administrativa.

Professores da Seduc protestam em frente à sede do governo, na Avenida Brasil, em Manaus (Foto: Pablo Trindade)

“O direito de greve é assegurado pela Constituição Federal e caracteriza um crime de improbidade administrativa. Inclusive, é uma decisão do STJ que o trabalhador não seja pressionado, coagido e intimidado ao exercer esse direito”, disse.

Calheiros se diz advogado militante das áreas trabalhista, civil e criminal. Ele é professor de escola pública e privada do nível Médio. Após a postagem em seu perfil no Facebook, o professor relatou que recebeu, até às 13h desta quinta-feira (22), cerca de 80 ligações de pessoas denunciando casos de intimidação contra professores do Estado.

“Se a Seduc estiver usando os seus agentes públicos, por exemplo, gestores de escolas, para intimidar os profissionais de educação isso caracteriza crime. Vamos reunir as provas, haverá uma denúncia no MP (Ministério Público do Estado) e haverá um processo contra o Estado. O que esses gestores estão fazendo é assédio moral. O superior hierárquico não pode usar as suas funções para ficar coagindo”, ressaltou.

Para Calheiros, tudo o que está acontecendo no cenário atual da educação é um desrespeito. “O salário é uma vergonha. O que o governador faz não passa de falácia para encobrir a falência de um sistema educacional que não valoriza um dos elementos principais do processo de ensino e aprendizagem que é o professor”, acrescentou.

Confira a publicação do advogado:

https://www.facebook.com/francisco.calheiros.9/posts/1991892000822950

O professor de Geografia Roberto Bittencourt relatou que casos de coação, e até mesmo assédio moral, são comuns nas escolas por parte de alguns gestores. Segundo ele, casos como este já foram registradas em várias escolas, porém, por se tratar de uma situação ‘velada’, os casos acabam passando despercebido.

“O assédio moral acontece porque alguns gestores estão há muito na escola e acabam confundindo as coisas. Eles agem como se a escola fosse a extensão da casa dele. Eu mesmo já passei por isso, sei muito bem como é”, relatou.

Entre os casos de assédio moral, o professor de geografia destacou que, em algumas escolas, já presenciou gestor gritando com o professor na frente dos alunos. “Eu mesmo já passei por isso. Já teve situações em que os professores eram expostos na reunião, tinham seus erros e defeitos apontados na frente dos colegas”, contou.

D24am – professores protestam em frente a sede do governo:

Professores em greve realizam ato de protesto em frente a sede do governo do Estado:

Posted by D24am on Thursday, March 22, 2018

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