AM tem 8 especialistas para 300 mil idosos

A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que a cada mil habitantes exista, pelo menos, um geriatra. Mas a realidade no Amazonas é de um profissional a cada 75 mil idosos

Manaus – O Amazonas possui 300 mil idosos e somente quatro especialistas em gerontologia e quatro geriatras, segundo o estudo Demografia Médica 2018, feito pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). O Estatuto do Idoso completou 15 anos, nesta segunda-feira, dia em que também se comemora o Dia Internacional do Idoso.

O Estatuto do Idoso completou 15 anos, nesta segunda-feira, dia em que também se comemora o Dia Internacional do Idoso (Foto: Raquel Miranda)

Dos 4.844 médicos registrados pelo conselho, o quantitativo de geriatras representa apenas 0,08% das especialidades médicas presentes no Estado. Com a projeção do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) que, em 2060, o Amazonas terá 97 idosos para cada 100 crianças, a previsão é que faltem ainda mais especialistas, segundo a instituição.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que a cada mil habitantes exista, pelo menos, um geriatra. Mas a realidade no Amazonas é de um profissional a cada 75 mil idosos, segundo os dados do levantamento demográfico.

Em maio deste ano, a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) autorizou a criação da representação da Sociedade no Estado, sob coordenação da geriatra Marilia Lobo e da especialista em gerontologia Claudia Henrique Bandeira de Sousa.

A criação pretende estimular especialistas que abordam o envelhecimento humano e promover a capacitação profissional na região, conforme informou a SBGG. Lobo disse, em entrevista à entidade, que a melhora no atendimento e na vida dos idosos depende da ampliação dos especialistas direcionados à população idosa.

“Ainda somos poucos profissionais especializados no atendimento ao idoso para um número considerável dessa população no Amazonas. Nosso objetivo, além de divulgar as ações e informações referentes aos cuidados deste publico, é promover e estimular a formação de mais profissionais nessa área tão desafiadora”, disse Marilia Lobo.

Para uma das quatro médicas geriatras do Estado, Karoline Rodrigues, a ausência de especialistas vai se tornar um problema de saúde pública em breve. “Existe sim um déficit muito grande de geriatras no nosso Estado. Hoje nós, geriatras titulados, com a devida especialização, somos cinco geriatras. Que atuam na área somos quatro e realmente é muito pouco para uma população do Estado em que cada vez existe um envelhecimento populacional acelerado e vai ser mais necessário ainda”, disse.

A médica informa que a idade para começar a visitar um geriatra gira em torno dos 50 anos, para atuar de forma preventiva. Mas, segundo ela, a partir dos 75 a visita regular passa a ser indispensável. E marcar uma consulta é complicado tanto no sistema público quanto no particular. A deficiência está relacionada ao pequeno número de residências na área em todo País.

“Nós não temos residência médica na área no Amazonas. Se tivéssemos uma residência, não precisaria o médico sair do seu Estado, de perto da sua família, para poder se formar”, disse Karoline.

Segundo Rodrigues, que também atua como professora na Universidade Federal do Amazonas (Ufam), somente em 2014 uma disciplina ligada à saúde do idoso passou a integrar a grade de Medicina.

Na publicação da Demografia Médica, o CFM já demonstrou preocupação com o déficit de especialistas para atender a população idosa. O Brasil tem, atualmente, 1.817 titulados no CFM, segundo o levantamento, número muito baixo se comparado à proporção recomendada pela Organização Mundial da Saúde.

Isso significa que o País precisaria formar, hoje, cerca de 28 mil novos geriatras para se adequar aos padrões internacionais, mas, neste ano, somente 25 novos geriatras se formaram. Por outro lado, o Brasil tem um pediatra para cada 1.506 crianças e adolescentes de 0 a 17 anos.
pesquisa
Sete em cada dez idosos têm doença crônica, diz estudo

Sete em cada dez idosos brasileiros sofrem de, pelo menos, uma doença crônica. Os cinco diagnósticos mais frequentes, na ordem, são hipertensão, dores na coluna, artrite, depressão e diabetes. Um estudo divulgado pelo Ministério da Saúde (MS), nesta segunda-feira, mostrou que 69,3% da população com idade acima dos 60 anos têm uma doença crônica.

Os dados fazem parte do Estudo Longitudinal de Saúde dos Idosos Brasileiros (Elsi), pesquisa também replicada em outros países, que busca entender o perfil da população mais velha, a medida em que vai envelhecendo.

A pesquisa mostra que 75,3% dos idosos dependem exclusivamente do serviço do Sistema Único de Saúde (SUS) e que 83,1% fizeram ao menos uma consulta médica nos últimos 12 meses – considerando, também, a rede privada.

Entre os pesquisados, idosos com nenhuma doença crônica eram apenas 30,7%; já com uma doença crônica, 39,5%, e com duas ou mais doenças crônicas eram 29,8%, conforme o estudo.

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