AM tem quase metade na extrema pobreza

A linha da extrema pobreza aumentou em 2019 e atingiu 47,4% da população, a maioria vivendo com meio salário-mínimo, aponta os Indicadores Sociais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)

Manaus – O percentual de pessoas que estava na linha de extrema pobreza aumentou em 2019, passando de 45,7% em 2018, para 47,4%. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (12) pelo estudo Síntese de Indicadores Sociais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo o instituto, o número é o maior entre todas as unidades da federação.

Conforme o Supervisor de Disseminação de Informações, Adjalma Nogueira, quase metade da população estava na linha de extrema pobreza. “Os rendimentos per capita mediano não alcançava 50% do valor do salário-mínimo da época. Nas condições de moradia, 20% não tinham como comprovar a propriedade do imóvel que moravam”, disse.

De acordo com o Índice de Gini, que mede o grau de concentração da renda, em uma escala em que que varia de 0 (perfeita igualdade) a 1 (desigualdade máxima, situação em que um indivíduo receberia toda a renda de uma economia), o índice no Brasil foi de 0,543, em 2019, e este índice não sofreu grande variação ao longo dos últimos anos, pois, em 2012, o índice era de 0,540.

Segundo o IBGE é a maior fatia de extrema pobreza entre os Estados (Foto: Marcello Casal Jr/ABr)

Entre as unidades da federação, em 2019, o índice de Gine do Amazonas (0,568) foi o quarto mais alto, ou seja, indica maior desigualdade da população, menor apenas que o índice de Sergipe (0,580), Roraima (0,576) e Pernambuco (0,573).

No Amazonas, em 2019, o Gini foi de 0,568, e o de 2018, 0,546, indicando piora na desigualdade, entre um ano e outro. Em 2012, esse índice era de 0,594. Em Manaus, o índice de Gini de 2019 foi de 0,562; em 2018, era 0,523, e em 2012, 0,586.

Dados nacionais

A análise do índice de Gini, que é um importante indicador da desigualdade no mundo, aponta que o Brasil permanece como um dos países mais desiguais quando se trata da distribuição de renda entre seus habitantes.

A pesquisa mostra que a extrema pobreza no País cresceu 13,5%, passando de 5,8% da população, em 2012, para 6,5%, em 2019, segundo a linha internacional fixada pelo Banco Mundial em US$ 1,90 por dia em termos de paridade de poder de compra (PPC). Já pela linha de US$ 5,50 PPC (pobreza), houve redução na proporção de pobres da ordem de 6,6%, caindo de 26,5% para 24,7% da população, nesse período. Entre os que se declararam brancos, 3,4% eram extremamente pobres e 14,7% eram pobres, mas essas incidências mais que dobravam entre pretos e pardos.

Entre as pessoas abaixo das linhas de pobreza do Banco Mundial, 70% eram de cor preta ou parda, enquanto a população que se declarou com essa característica era de 56,3% da população total. A pobreza afetou ainda mais as mulheres pretas ou pardas: eram 28,7% da população, mas 39,8% dos extremamente pobres e 38,1% dos pobres.

A população de cor ou raça preta ou parda está mais presente na informalidade, possui menos anos de estudo, está em atividades que remuneram menos, então tudo isso contribui para que a renda do trabalho seja menor. Certamente, todos esses elementos tanto do mercado de trabalho quanto de fora do mercado de trabalho fazem com que tenham um rendimento domiciliar per capita inferior e se insiram relativamente mais nessas categorias de pobreza e extrema pobreza”, analisou o coordenador do estudo, João Hallak. Hallak.

Rendimento médio do Estado é um dos mais baixos do País

No Amazonas, o rendimento domiciliar per capita mediano, aquele a que até metade da população tem acesso, equivalia a 53,3% do rendimento médio (R$ 838) e foi de R$ 475, em 2019, não alcançando, portanto, nem metade do valor do salário-mínimo nacional vigente nesse ano (R$ 998). Em Manaus, o rendimento médio foi de R$ 1.115, e o mediano, R$ 608, ou seja, este último também consideravelmente abaixo do valor do salário-mínimo.

O rendimento mediano do Amazonas em 2019 (R$ 475) foi inferior ao índice do Brasil (R$ 861) e também inferior aos rendimentos medianos da região Norte (R$ 511) e Nordeste (R$ 506), que são as que têm os menores rendimentos.

Ao longo dos anos, não houve grande variação nos rendimentos médio e mediano da população, mas observa-se que, no Amazonas, o rendimento mediano de 2019 (R$ 475) foi inferior ao de 2018 (R$ 485), que, por sua vez, voltava a crescer após dois anos de queda (2016 e 2017).

A desigualdade racial, histórica na estruturação da sociedade brasileira, é evidenciada na análise da desigualdade de rendimentos. O rendimento domiciliar per capita médio da população preta ou parda, no Amazonas, ao longo do período compreendido entre 2012 e 2019, chegou a ser somente 42,2% do observado para a população branca (2013). Esse rendimento foi, em 2019, de R$ 762 para a população preta e parda e R$ 1.289 para a branca (59,1% do rendimento para as pessoas brancas).

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