Amazonas decreta situação de emergência por causa das queimadas e desmatamento ilegal

O decreto ficará em vigor por 180 dias a partir da data da publicação. De janeiro a julho deste ano, o Amazonas registrou 1.699 focos de calor

Manaus –  A Região Metropolitana de Manaus e o Sul do Amazonas estão em situação de emergência a partir desta sexta-feira (2), por causa dos impactos do desmatamento ilegal e queimadas não autorizadas. O Amazonas registrou, de janeiro a julho deste ano, 1.699 focos de calor. Destes, 80% foram em julho, mês em que teve início o período de estiagem.

De acordo com o decreto assinado nesta sexta, a Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) coordenará a articulação interinstitucional com os demais órgãos públicos para a definição e execução das estratégias de combate ao desmatamento ilegal e queimadas não autorizadas.

Já o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) ficará responsável pela execução operacional das ações de resposta às ocorrências de desmatamento ilegal e queimadas não autorizadas e demais crimes correlatos. O decreto ficará em vigor por 180 dias a partir da data da publicação.

O município que lidera o ranking é Apuí, a 453 quilômetros de Manaus (Foto: Arquivo/GDC)

De janeiro a julho deste ano, o Amazonas registrou 1.699 focos de calor. O número é inferior ao mesmo período nos anos de 2016 e 2017, quando foram registrados, respectivamente, 2.221 e 1.784 focos. Do total detectado nos primeiros sete meses deste ano, o mês de julho, quando inicia o período de estiagem, contribuiu com 80,7%, com 1.372 focos de calor.

O município que lidera o ranking é Apuí, a 453 quilômetros de Manaus. Dos 1.699 focos detectados, 673 foram concentrados no município, sendo 623 no Projeto Assentamento (PA) do Juma e oito em Unidades de Conservação (UC) federais. Nenhum foco de calor foi registrado em terras indígenas ou UC gerenciadas pelo Governo do Estado no município.

Em seguida, figuram na lista dos dez municípios com mais focos de calor: Novo Aripuanã (152 focos), Lábrea (119), Manicoré (94), Canutama (71), Humaitá (54), Boca do Acre (32), Maués (30), Manacapuru (18) e Autazes (10).

Dos nove estados que integram a Amazônia Legal, o Amazonas foi o quarto nos índices dos que menos tiveram focos de calor em 2019. O Mato Grosso foi o que mais apresentou princípios de incêndio florestal, com 8.779 casos.

Monitoramento e alerta 

Apesar de os dados monitorados pela Sema indicarem alta no número de focos de calor, não é possível afirmar ainda que há aumento do desmatamento. Os dados oficiais de 2019 serão consolidados em 2020 pelo Prodes, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

“É preocupante o aumento dos focos de calor no estado. Vale ressaltar que temos monitorado também os alertas de desmatamento do Deter-B, sistema também do Inpe, que demonstrou um aumento nesses índices. Como essa concentração está também em áreas federais  no Sul do Estado, cremos que com essa ação integrada podemos também evitar o aumento do desmatamento no Estado”, destaca o secretário Eduardo Taveira.

Os dados do Deter-B atualizados na última semana apontaram um alerta de crescimento do desmatamento na Amazônia legal. O relatório não indicou nenhum alerta de desmatamento nas 42 áreas protegidas estaduais, que são de responsabilidade do Governo do Amazonas.

 

 

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