Amazonas é o terceiro maior desmatador do país

Crime ambiental ocorreu em 258 áreas, entre agosto de 2015 e julho de 2016, e 182 delas foram responsáveis por “grandes desmatamentos”, conforme classificou o MPF

Manaus – Mais de 33 mil hectares de floresta amazônica foram desmatados ilegalmente no Amazonas, entre agosto de 2015 e julho de 2016. O crime ambiental ocorreu em 258 áreas, 182 delas foram responsáveis por “grandes desmatamentos”, conforme classificou o Ministério Público Federal (MPF-AM). Os dados foram divulgados ontem , no lançamento do projeto Amazônia Protege. O Estado, segundo a pesquisa, é o terceiro do País em desmatamento.

De acordo com o MPF, os 182 réus podem ser condenados a pagar indenizações que ultrapassam R$ 536 milhões (Foto: Arquivo)

No Amazonas, o projeto mapeou 258 áreas, totalizando 33.276,91 hectares. Só no Estado, o MPF apresentou 258 ações civis públicas à Justiça para punir esses desmatadores. No Amazonas, já são mais de 33,2 mil hectares alvo de ações, e os 182 réus podem ser condenados a pagar indenizações que ultrapassam R$ 536 milhões.

O órgão identificou mais de mil áreas de desmatamento ilegal na Amazônia no mesmo período. Com mais de 60 hectares de extensão, cada um dos 1.262 pontos registrados foram localizados por meio do monitoramento de satélite, entre agosto de 2015 e julho de 2016.

Com o cruzamento com bancos de dados públicos, 1.155 pessoas ou empresas foram relacionadas aos grandes desmatamentos na região amazônica. Ao todo, os polígonos mapeados somam 176.761 hectares de corte raso ilegal de vegetação na floresta. Até o momento, o trabalho coordenado do MPF já resultou na instauração de 757 ações civis públicas, contra 725 réus.

Os dados divulgados nesta terça (21), pela Câmara de Meio Ambiente e Patrimônio Cultural do MPF (4CCR), foram mapeados em parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

Os laudos periciais comprovando o desmatamento ilegal e a lista das pessoas e empresas relacionadas às áreas foram enviados aos procuradores da República de 24 unidades do MPF em oito Estados da Amazônia Legal  (Acre, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins), para instauração de ações civis públicas.

Até agora, em todos os Estados, as ações instauradas pedem de R$ 1,5 bilhão em indenizações por danos materiais e morais difusos, além da reparação de 95.679 hectares de floresta degradados. A estimativa é que, ao final da ação coordenada, os valores solicitados para ressarcimento dos danos ambientais cheguem a R$ 2,8 bilhões de reais.

Das áreas de desmatamento ilegal com mais de 60 hectares de extensão identificados pelo projeto, 31 estão dentro de Unidades de Conservação (UC) federais e 13 dentro de terras indígenas. Além disso, há 689 áreas de desmatamento a menos de 30 quilômetros de UC federal e 479 a menos de 30 quilômetros de terra indígena.

São 672 locais desmatados situados em áreas de proteção federal e 450 já alvos de embargo do Ibama. O Estado com maior número de grandes desmatamentos é o Pará, com 404 áreas, seguido pelo Mato Grosso (326), Amazonas (258) e Rondônia (225).

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