Amazonas sem bloqueador de celular nas prisões

Nos primeiros dez meses deste ano, foram apreendidos 1.902 materiais proibidos com visitantes.

Manaus – Todos os presídios do Amazonas estão sem bloqueador de celular, segundo informou a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap). Neste ano, até outubro, cerca de 92 celulares, 165 chips e 42 baterias foram apreendidas com visitantes que tentavam entrar nas cadeias. Conforme o órgão, atualmente, o sistema prisional do Amazonas está sem contrato com empresa fornecedora do aparelho.

Para o secretário executivo da Seap, major Klinger Paiva, o celular é um item muito perigoso nas mãos dos bandidos, que utilizam a comunicação para controlar, entre outros crimes, o tráfico de drogas. “Só tem uma coisa mais que perigosa que o celular na mão de um preso, uma arma, que pode ser usada numa rebelião”, disse.

Segundo Paiva, os presídios estão sem os bloqueadores há muito tempo e, desde a gestão do governador cassado José Melo, que o processo de licitação não era retomado. Nos últimos governos, os bloqueadores já foram alvos de críticas pela ineficiência.

Nos primeiros dez meses deste ano, foram apreendidos 1.902 materiais proibidos com visitantes. (Foto: Divulgação CMA)

“Já estamos em processo de licitação, estamos tentando garantir o que há de melhor no mercado. Já tem um tempo que estávamos sem, e voltamos agora, até porque, com a crise, muitos contratos estavam suspensos”, declarou o major.

Ousadia

A ousadia dos visitantes é tamanha que a tentativa de entrar com objetos ilícitos ou improváveis, como uma chave de boca dentro das partes íntimas, se tornou comum.

Os visitantes tentaram entrar nos presídios, este ano, com objetos como balança de precisão, facas e até joias, que segundo o secretário executivo, são usadas como objeto de ostentação dentro dos presídios.

A cada final de semana de visitas foram apreendidos, em média, 47 objetos proibidos com mulheres, mães e parentes de presidiários, segundo informou a secretaria.

“Nossas fiscalizações melhoraram bastante, mas (os visitantes) são audaciosos e das formas mais inusitadas, trazendo objetos introduzidos no corpo. Já teve chave dentro do corpo, uma chave mesmo, uma ferramenta que tinha a abertura do parafuso das trancas das celas, para tentar fuga”, disse o secretário executivo da Seap.

Nos primeiros dez meses deste ano, foram apreendidos 1.902 materiais proibidos com visitantes, um aumento de 69% comparado com o mesmo período do ano passado, conforme informou a Seap.

Para tentar inibir a entrada de facas, armas e celulares, a Seap declarou que foram adquiridos 24 aparelhos de raio X, 20 detectores de metais tipo portal e 61 detectores de metais tipo raquete. A aquisição desses três materiais correspondeu a quase R$ 4 milhões. Segundo a secretaria, o órgão ainda alugou, por 24 meses, nove scanners corporais, no valor de pouco mais de R$ 3 milhões.

Fazem parte dos aparelhos de segurança do órgão nove body scanners, 35 aparelhos de raio X, 45 detectores de metais tipo portal, 100 detectores de metais tipo raquete e 33 detectores de metais tipo banqueta. Os equipamentos estão em todas as unidades da capital e nas oito unidades no interior, administradas pela Seap.

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