Amazonas tem só 10km de estradas ‘ótimas’

DIÁRIO ouviu motoristas que trafegam pelas estradas e rodovias e eles apontam que o sistema rodoviário do Estado é caótico. Melhor rodovia do Amazonas está apenas em 90º lugar no ranking nacional

Manaus – Com apenas 10 quilômetros de rodovias e estradas consideradas ‘ótimas’, segundo a 21ª Pesquisa de rodovias da Confederação Nacional dos Transportes (CNT), divulgada na última semana, o Amazonas não tem nenhuma estrada ou rodovia entre as melhores do País. O DIÁRIO ouviu motoristas que trafegam pelas estradas e eles apontam que o sistema rodoviário do Estado é caótico.

Na AM-010, placa ao fundo indica plano de recuperação da estrada. Na prática, motoristas convivem com buracos (Foto: Sandro Pereira)

De acordo com o levantamento, a BR-174 (Manaus- Boa Vista-RR) é a melhor localizada no ranking, em 90º lugar. Foram analisados 1.022 quilômetros de estradas no Estado, em 57,5% do trecho a pesquisa apontou que a qualidade foi péssimo ou ruim.

Com o prejuízo de R$3.450 este ano, graças ao estado das estradas do Amazonas, o caminhoneiro Alexssandro Sousa, 31, reclama da falta de manutenção das rodovias estaduais.

O gasto indicado pelo motorista está relacionado aos buracos que o caminhão precisa enfrentar nas estradas amazonenses para transporte de cargas. Este ano, por três vezes, o caminhoneiro precisou realizar troca de molas do veículo. Cada troca custou ao caminhoneiro, R$ 1.150.

“Está muito precária esta estrada (AM-010 Manaus-Itacoatiara). Falta acostamento, é muito estreita e ainda tem os buracos. Já escapei de morrer por pouco nessa estrada”, disse o caminhoneiro.

Alexssandro disse que há cerca de três meses, enquanto estava dirigindo na estrada, por causa de um buraco, um veículo precisou invadir a contramão. “Foi em uma curva, quase morri, tive que entrar com o caminhão para dentro do mato, porque não tem acostamento”, contou o caminhoneiro.

Conforme o estudo da CNT, no Amazonas, 588 quilômetros avaliados foram considerados ruins ou péssimos, no quesito geral. As rodovias amazonenses foram reprovadas ainda no quesito pavimento, onde 9,8% dos trechos analisados foram avaliados como ‘ótimo’ em geometria da estrada. Segundo o estudo, a geometria foi avaliada com nota máxima em somente cinco quilômetros.

“Pior que as estradas daqui, para mim, só a Transamazônica, onde eu dirigia quando morava em Santarém (PA). Lá também é muito perigoso”, afirmou Sousa.

Outro problema apontado pelo caminhoneiro na rodovia estadual AM-010 é a falta de acostamento perto das escolas. Para descer e embarcar os ônibus precisam ficar na beira da estrada. “Nas curvas é ainda mais perigoso”, declarou Sousa.

A informação foi confirmada pelo motorista de transporte escolar rural da Escola Municipal Abílio Alencar, Edilson Ferreira, 21. A instituição fica localizada no quilômetro 36 da rodovia AM-010 e por causa da falta de acostamento os alunos se arriscam descendo no meio da estrada na volta para casa, conforme informou o motorista.

Com o ônibus lotado de estudantes, Ferreira reclamou da falta de sinalização na estrada. Conhecidos como ‘olhos de gato’, os sinais luminosos auxiliam os motoristas sobretudo durante a noite, segundo Ferreira.

“Do quilômetro 41 ao 57 são os mais perigosos. Falta sinalização em toda a estrada. Isso é que faz, na minha opinião, que tenham tantos acidentes. Não tem como não colocar em risco essas crianças com uma estrada dessas”, disse o motorista de transporte escolar.

O DIÁRIO constatou os problemas apontados pelos motoristas na AM-010. Em todo percurso faltam sinalizações horizontais, como as faixas que indicam a proibição de ultrapassagem. No percurso até o quilômetro 54, poucas placas de limite de velocidade foram identificadas pela reportagem.

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