Apontado como pistoleiro, ‘Marcos Pará’ faz orações durante defesa de réus

O advogado de defesa de ‘João Branco’ e dos outros três réus, julgados pela morte do delegado Oscar Cardoso, sustentou a tese de que policiais ligados à SSP são responsáveis pelo crime

Manaus – Apontado como um dos pistoleiros que atirou no delegado da Polícia Civil (PC) Oscar Cardoso Filho, o réu Marcos Roberto Miranda da Silva, o ‘Marcos Pará’, rezou duas vezes durante defesa do advogado Maurício Neville, na noite desta sexta-feira (13), na 2ª Vara do Tribunal do Júri, no Fórum Henoch Reis, zona sul da capital.

Assim que o advogado iniciou a defesa, ‘Marcos Pará’ cruzou as mãos e começou rezar de cabeça para baixo. Minutos depois, ele colocou as mãos na altura do rosto, fechou os olhos e rezou novamente.

Nas 2 horas e 30 minutos que defendeu João Pinto Carioca, o ‘João Branco’, Messias Maia Sodré, Diego Bruno de Souza Moldes e ‘Marcos Pará’, o advogado sustentou a tese que foi o sistema de segurança pública do Amazonas que planejou e executou o crime, apontando policiais ligados à Secretaria de Segurança Pública do Estado (SSPAM) pela morte.

O delegado foi executado com 18 tiros de pistola calibre ponto 40 e 9 milímetros, no dia 9 de março de 2014, em uma banca de peixe, a poucos metros da casa onde morava, no bairro São Francisco, zona sul da capital. Na ocasião, a vítima segurava o neto de um ano e seis meses no colo.

Segundo Maurício Neville, até agora, nem a SSP e nem o Ministério Público do Estado do Amazonas (MPE) conseguiram identificar quem desviou o lote de munições, adquirido pela secretaria de segurança, em 2011. “A perícia e a DEHS (Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros) confirmaram que as cápsulas das pistolas usadas, no dia do crime, era do lote da SSP, ou seja, foi policial que matou o delegado”, disse.

Durante toda defesa de Maurício Neville, João Branco’, Diego Bruno e Messias Sodré permaneceram apenas de braços cruzados, ouvindo o advogado. O julgamento teve uma pausa, após a conclusão do advogado, e foi retomado 10 minutos depois, para a réplica do MPE, e tréplica de Maurício Neville.

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