Após morte de advogado, SSP diz que vai monitorar quem entra armado em casas noturnas

O porte de arma por policiais civis e militares fora do expediente é permitido pelo Estatuto do Desarmamento, mas a SSP-AM pretende ampliar o controle sobre a situação

Manaus – Após a morte do advogado Wilson de Lima Justo Filho, 35, assassinado pelo delegado da Polícia Civil (PC) Gustavo Sotero, na madrugada do último sábado (25), no Porão do Alemão, a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) informou que vai desenvolver um sistema tecnológico para monitorar quem entra armado em casas noturnas e bares de Manaus. A medida foi anunciada pelo vice-governador e secretário de Segurança, Bosco Saraiva, na noite de sábado (25, durante fiscalização em casas noturnas da capital para verificar como é feita a guarda de armas.

Na noite de sábado e na madrugada de domingo (26), Bosco Saraiva acompanhado da cúpula da segurança, vistoriou bares e boates no Conjunto Morada do Sol, Vieiralves, Centro e São José. A determinação é ampliar o controle sobre os agentes da segurança pública do Estado que andam armados em festas e eventos, estando fora de serviço.

Medida foi anunciada durante fiscalização em casas noturnas da capital (Foto: Aguillar Abecassis/Divulgação Secom)

As visitas foram feitas ao lado da Corregedora-Geral do Sistema de Segurança, delegada Íris Trevisan, do delegado-geral da Polícia Civil, Mariolino Brito, do comandante-geral da Polícia Militar, coronel David Brandão, e do secretário executivo adjunto de Inteligência, Herbert Lopes.

“Estamos preocupados com quem está armado e está bebendo. A lei diz que andar armado é um direito do policial, mas quem está ingerindo bebida alcoólica não pode estar armado. É um sistema para proteger o próprio policial e evitar problemas graves”, destacou o delegado-geral Mariolino Brito.

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Controle

O porte de arma por policiais civis e militares fora do expediente é permitido pelo Estatuto do Desarmamento, mas a SSP-AM pretende ampliar o controle sobre a situação. “Vamos implementar um sistema de controle de armas, com informações imediatas das portarias de casas noturnas. Na medida em que a arma ou o portador da arma entrar em ambientes de diversão, ele terá seu nome informado online com a corregedoria da polícia”, disse Bosco Saraiva.

A criação do novo sistema é uma das medidas que a SSP vai adotar para disciplinar o porte de armas por agentes fora do horário de serviço, tema que ganhou destaque após a ocorrência envolvendo o delegado da Polícia Civil Gustavo de Castro Sotero, responsável pela morte do advogado Wilson de Justo Lima Filho e de balear outras três pessoas durante confusão em uma casa noturna na madrugada de sábado.

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“Tivemos uma tragédia lamentável ocasionada, justamente por essa facilidade, isso nós vamos coibir”, afirmou o vice-governador. O novo sistema será desenvolvido em parceria entre as polícias Civil, Militar e a Corregedoria-Geral do Sistema de Segurança Pública.

Morte de advogado

O advogado Wilson de Lima Justo Filho, 35, foi morto com quatro tiros, sendo dois no peito, na madrugada deste sábado (25), por volta das 2h, no Porão do Alemão, localizado no Bairro São Jorge, zona oeste de Manaus. Os tiros foram efetuados pelo delegado da Polícia Civil (PC) Gustavo Soreto, 40, e deixaram outras três pessoas baleadas. São elas: Fabiola Rodrigues Pinto de Oliveira, 31, Mauricio Carvalho Rocha, 35, e Yuri Paiva, 46, que passam bem.

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Delegado é suspeito de entrar no local com arma e disparar contra quatro pessoas (Foto: Divulgação)

Testemunhas relataram os momentos de terror que presenciaram no local. “Muita gente chorando desesperada e pensando que íamos morrer”, disse o o engenheiro mecânico, Otthon Leão, 29, que testemunhou o crime. “Eram umas 2h30. Eu estava no lado oposto que o cara que levou os tiros. Quando estava na metade do show da segunda banda, começamos a ouvir os disparos. Nesse momento, todo mundo começou a se jogar no chão, um por cima do outro. Foi horrível. Me veio logo na lembrando o atentado que aconteceu em Las Vegas (EUA, em outubro)”, relatou.

A prisão em flagrante do delegado Gustavo de Castro Sotero foi convertida em prisão preventiva, na audiência de custódia, realizada no começo da tarde de sábado, no Fórum Henoch Reis, zona centro sul. Na frente do fórum, familiares e amigos do advogado portavam cartazes pedindo justiça. ‘Assassinato não é legítima defesa’ e ‘Chega de impunidade’, eram algumas das frases dos manifestantes.

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