Após reunião de governador e prefeitos, professores do interior do AM aderem a greve

Há uma semana, Amazonino Mendes se reuniu com prefeitos, garantindo dinheiro para o interior do Estado. Diante de reivindicações não atendidas, professores decidem parar atividades por tempo indeterminado

Manaus – Uma semana após o governador Amazonino Mendes (PDT) se reunir, a portas fechadas, com prefeitos de municípios do interior do Estado, professores da rede estadual de educação decidiram deflagrar greve geral da categoria, por não ter reivindicações cumpridas, mesmo após diversos protestos na capital e no interior. Manifestações no interior do Estado cobram, ainda, melhorias na merenda escolar e infraestrutura.

Na tarde desta sexta-feira (16), a categoria afirmou que a greve terá início na próxima quinta-feira (22), em, pelo menos, 15 cidades do interior. Na capital, professores e estudantes de reuniram na Praça da Polícia, Centro de Manaus, com cartazes e placas, pedindo que as solicitações feitas pelos servidores sejam atendidas pelo governo do Estado.

Assembleia geral, no Centro de Manaus, teve atos de protesto de professores e estudantes (Foto: Sofia Lorrane/Divulgação)

De acordo com o presidente da Associação dos Professores de Manaus (Assprom), Lambert Melo, a decisão de greve vai ser seguida por outros municípios do interior. “Alguns estiveram presentes na assembleia, como Manacapuru, Iranduba e Itacoatiara, mas nós já temos a confiança de que mais de 15 municípios irão instaurar greve juntamente com a capital”, informou.

De acordo com a professora Valéria Pinheiro Fragata, 30, do município de Parintins, alguns docentes da cidade, de cerca de 200 escolas, participaram da assembleia em Manaus, que foi realizada simultaneamente com a reunião de Parintins.

“Nós nos reunimos aqui no mesmo horário da assembleia que estava acontecendo em Manaus e assim que os professores da capital deflagraram greve, nós também deflagramos a greve em Parintins. Agora o governo tem 72 horas para nos dar a resposta. Se até quinta-feira ele não atender a nossa proposta, aí vamos entrar em greve por tempo indeterminado”, disse.

Dentre as reivindicações, os profissionais pedem 35% de reajuste, sendo 30% de reposição da inflação referente ao período de abril de 2014 a março de 2018, e 5% de ganho real. Os servidores da educação também querem os 40% do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), além da revisão do Plano de Cargos, Carreiras e Remuneração (PCCR), que está abaixo da média há quatro anos.

Em Parintins, populares, estudantes e profissionais da educação realizaram uma passeata cobrando melhorias na merenda escolar. Os professores da cidade denunciam, ainda, problemas na infraestrutura das escolas.

Assista a passeata por melhorias na merenda escolar do município:

Amazonino se reúne com prefeitos

Na última sexta-feira (9), uma semana antes do decreto de greve e protesto de profissionais da educação do Estado, o governador Amazonino Mendes (PDT) fez uma reunião a portas fechadas com prefeitos de municípios do interior, no auditório da Secretaria de Estado da Fazenda (Sefaz). Durante as duas horas da reunião, a porta só foi aberta poucos minutos para que fossem feitas imagens do evento, quando os jornalistas puderam ouvir Amazonino dizendo que “nenhum prefeito vai ficar sem dinheiro”.

Na entrevista coletiva, o governador negou que a reunião teve apelo político eleitoral. “Eu fiz questão de dizer pra eles (prefeitos) que isso não tem caráter político, é algo institucional. Vamos ajudar os municípios que estão em situação, há muito tempo, ruim, vamos prestar socorro sobre todos os sentidos. Vamos investir onde há maior angústia administrativa. Segurança, saúde, educação e infraestrutura’, disse.

Amazonino sustentou o discurso de que pegou o “Estado quebrado”, mas que já estaria se recuperando, em quatro meses do governo dele. O governador disse, ainda, que vai analisar quanto tem de recurso para “socorrer” as prefeituras, mas o valor, segundo ele, deve ser cerca de R$ 400 milhões. Amazonino foi questionado sobre a questão de condutas vedadas em ano eleitoral. Ele afirmou que está tranquilo e que o dinheiro será repassado até o dia 7 de julho. “Vamos fazer logo, mas será parcelado”, disse.