Aposentada enfrenta limitações após vencer meningite: ‘grata por estar viva’

Ednelza Galvão Corrêa, 59, passou por isolamento e teve membros amputados, até se curar. Em 2017, apenas 20% dos pacientes sobreviveram à doença, segundo a FVS

Manaus – “Quando eu olho pra esse céu azul, eu só agradeço a Deus por essa oportunidade que ele me deu de estar viva”. As palavras são da aposentada Ednelza Galvão Corrêa, 59, vítima de uma meningite meningocócica, causada por bactérias, considerada rapidamente fatal. A sobrevivente precisou ter as mãos e as pernas amputadas por conta da doença. Dos casos registrados em 2017, no Amazonas, apenas 20% dos pacientes conseguiram sobreviver, segundo dados da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM).

Aposentada enfrenta limitações após vencer meningite: ‘grata por estar viva’ (Foto: Édria Caroline/Divulgação)

Ednelza descobriu a doença, em fevereiro de 2016, quando estava em um sítio, na Comunidade São Sebastião, no Alto Rio Negro, com os dois netos. No momento em que se preparava para deitar com as duas crianças, a aposentada sentiu uma febre alta, acompanhada de dores que não a deixavam levantar-se. “Eles queriam café e eu não conseguia me levantar para fazer. Lembro de poucas coisas, uma delas é a febre alta que eu senti naquela hora”, conta.

No dia seguinte, quando vizinhos da comunidade foram visitá-la, perceberam que Ednelza não estava bem e resolveram pedir ajuda de agentes de saúde da comunidade. A aposentada chegou ao SPA Joventina Dias, no bairro Compensa, por volta das 18h, do dia 9 de fevereiro, em estado grave, com pressão baixa e choque hipovolêmico, e precisou ser transferia ao Hospital e Pronto-Socorro Platão Araújo, na zona leste de Manaus, onde, dois dias depois, os médicos contaram à família que a aposentada precisaria ser entubada por existir a suspeita de meningite.

“Minha mãe ficou no isolamento por dois meses. Todo dia quando a gente ia visitá-la, os médicos desenganavam a gente, dizendo que era pra todo mundo ficar preparado, preparar o restante da família, porque eles nunca tinham visto paciente sobreviver naquele estado”, relata a técnica em enfermagem, Gabriele Galvão Corrêa, filha de Ednelza.

Gabrielle conta que, durante o tratamento para combater a doença, os médicos precisaram dar remédios fortes à Ednelza, com dosagem alta, o que acabou ocasionando a osteonecrose (necrose óssea), fazendo com que mãos e pernas da paciente precisassem ser amputadas, além de ter o pulmão reduzido e a paralisação dos dois rins.

Somente dois meses depois de ser diagnosticada com doença, e iniciar o tratamento, que Ednelza pôde sair do isolamento e ir para a enfermaria da unidade hospitalar. “Eu não lembro de nada. A última coisa que eu lembro antes de acordar (em abril) é de estar lá no meu sítio e sentir muita febre”, diz Ednelza. Ela ainda relata sobre o momento em que percebeu que estava com as mãos e os pés amputados. “Eu vi muito curativo. Sabia que tinha algo errado. Foi quando minha filha me contou que eu precisei perder as mãos e os pés para poder viver. Só consegui agradecer à Deus”, conta.

Ednelza pôde voltar para casa após quatro meses de internação e precisou se readaptar à nova fase da vida. “No início foi bem difícil, eu só conseguia dormir em uma posição, não mexia no celular, achei que nunca mais ia poder falar com ninguém por telefone, mas, graças a Deus, todos os dias é uma superação diferente”, explica.

Hoje, a aposentada faz duas sessões de fisioterapia na semana e já consegue segurar alguns objetos sozinha. “Eu era acostumada a trabalhar, ser independente com as minhas coisas. Hoje eu tenho algumas limitações. Tem gente que chega aqui chorando, dizendo que eu não merecia isso. Mas eu peço pra ninguém chorar, porque eu estou viva, Deus em deu uma nova chance de olhar esse céu azul e eu sou muito grata por isso”, afirma Ednelza.

Apenas 20% dos pacientes sobreviveram em 2017, diz FVS

Em 2016, a Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM) registrou 164 casos da doença no Amazonas. Em 2017, foram 205 casos e apenas cerca de quarenta pacientes conseguiram sobreviver, cerca de 20%. Até março deste ano, a FVS já registrou 27 casos da doença no estado.

A meningite meningocócica vem acompanhada de sintomas como febre alta, dor de cabeça e rigidez na nuca (torcicolo), além de manchas vermelhas na pele. “A bactéria manifesta-se em torno de dois a sete dias e pode ser transmitida através do falar, tossir ou espirrar”, explica o presidente da FVS, Bernardino Albuquerque.

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