Ataques de animais peçonhentos crescem no período de chuvas, no Amazonas

Só este ano, já foram 15 casos registrados pela Fundação de Medicina Tropical (FMT), em Manaus, hospital de referência para esse tipo de situação. Infectologista alerta para o perigo

Manaus – Neste período chuvoso e de cheia dos rios, alguns animais e insetos procuram abrigos em residências e, com isso, vem o perigo de ataques de animais peçonhentos. Só este ano, já foram 15 casos registrados pela Fundação de Medicina Tropical (FMT), em Manaus, hospital de referência para esse tipo de situação.

Uma das vítimas desses ataques de animais peçonhentos foi o pescador Vanderson da Silva, 26, que mora em Codajás (a 240 quilômetros a oeste de Manaus). Ele foi atacado por uma cobra quando preparava o material para ir pescar em um dia comum de trabalho. “Tinha um pau caído e umas folhas e eu não vi a cobra. Eu acho que ela estava debaixo da folha. Como eu pisei, ela pulou na minha perna e dei um grito”, afirmou Vanderson.

Depois do acidente, o pescador foi encaminhado à FMT. Há cerca de duas semanas, Vanderson está internado na unidade e não esquece o perigo que passou. “Depois de cinco minutos, a minha perna adormeceu e eu não senti mais nada. Então, eu caí e fui pulando numa perna só até chegar à canoa. Chegamos ao hospital uma hora depois e eu estava com muita dor, gritando sem aguentar mais de tanta dor,” recordou o pescador.

Além das cobras, as aranhas e os escorpiões são alguns dos animais peçonhentos que acabam invadindo as residências (Foto: Josué Custódio/Divulgação)

Além das cobras, as aranhas e os escorpiões são alguns dos animais peçonhentos que acabam invadindo as residências, principalmente, nesta época de chuva e cheia dos rios. E não só no interior ou em área de mata. Em Manaus, as áreas de maior risco de ataques desses tipos de animais são as que ficam em bairros que sofrem com alagações.

Segundo o infectologista Antônio Magela, os acidentes causados por animais peçonhentos aumentam nesta época do ano, devido ao volume das águas e os animais ficam procurando abrigo seco. “(Os animais) emigram para novas fontes de alimento e acaba aumentando a convivência com homem no ambiente urbano”, explicou Magela.
Entulhos e lixos acumulados podem se tornar abrigos e principais fontes de alimentos para os animais peçonhentos. Os escorpiões, por exemplo, se alimentam de baratas que geralmente se acumulam por conta de lixos mal-acondicionados. Outros animais que também são atraídos por esse tipo de ambiente são os ratos, o principal cardápio das serpentes.

Esses animais ficam escondidos, principalmente, durante o dia em entulhos e buracos. “Então, ao fazer limpeza em quintal, por exemplo, é recomendável não tocar diretamente esses materiais e preferir usar uma enxada, se possível, e usar sempre luvas e botas”, disse Magela.

Devido ao volume das águas, os animais ficam procurando abrigo seco (Foto: Josué Custódio/ Divulgação)

A recomendação da bióloga Ana lobo também é de manter distância desses animais. “É muito importante dar o espaço de fuga para que o animal entenda que ele pode fugir sem ser percebido e sair de lá sem ser machucado”, afirmou a bióloga, explicando que a estratégia é também uma forma do animal sair do local.

Tratamento

Em caso de picada de algum desses animais peçonhentos é preciso buscar ajuda o mais rápido possível. O tratamento mais seguro e eficaz, segundo Magela, é o soro. “O profissional de saúde precisa identificar o tipo de acidente e fazer uma avaliação da gravidade para saber qual a quantidade de soro que ele vai administrar para o paciente”, disse Magela.

Ainda segundo o infectologista, mais importante que saber como agir, quando se é picado, é saber o que não pode ser feito. Um procedimento errado pode trazer danos irreversíveis para a vítima. “Existem algumas condutas que são de domínio popular e que, às vezes, pode até complicar o acidente. Não se corta o local do acidente para sugar sangue, não se amarra um membro afetado, não se deve colocar nenhuma substância em cima do ferimento”, detalhou o médico.

O ataque mais comum no Brasil é do escorpião que, nos últimos três anos, aumentou de forma alarmante. No Amazonas, as serpentes são as vilãs. Em 2017, foram registrados 136 ataques de cobras em todo o Estado. Em 2018, o número aumentou para 142 vítimas desse animal. Só este ano já foram registrados 13 ataques. De todo esse quantitativo, 97% dos casos foram ataques da serpente, Bothrops Atrox, popularmente conhecida como surucucurana ou jararaca do Norte.

Outro animal que também pode ser causador de muito incômodo são as aranhas que, geralmente, têm preferência por pneus velhos, latas vazias e sapatos. Viúva negra, aranha marrom e aranha armadeira são as mais preocupantes por serem venenosas.

Ao encontrar algum desses animais peçonhentos é importante manter distante e chamar um especialista para a remoção.