Atendimento, estrutura e recursos humanos do Platão Araújo são investigados

Por meio da 58ª Promotoria de Justiça Especializada na Defesa dos Direitos Humanos à Saúde Pública, a promotora prorrogou por mais um ano o inquérito civil para investigar unidade hospitalar

Manaus – O Ministério Público do Amazonas (MPAM) prorrogou por mais um ano, o inquérito civil para continuar investigando irregularidades relacionadas à estrutura, atendimento e recursos humanos que acontecem dentro do Hospital e Pronto-Socorro Dr. Aristóteles Platão Bezerra de Araújo, na zona leste de Manaus. A decisão foi publicada no Diário Oficial Eletrônico do MPAM, na última quinta-feira (24).

Ministério Público investiga atendimento, estrutura e recursos humanos do Hospital Platão Araújo (Foto: Yago Frota/GDC)

Por meio da 58º Promotoria de Justiça Especializada na Defesa dos Direitos Humanos à Saúde Pública, a promotora Silvana Cabral decidiu prorrogar o inquérito civil. Além de informações sobre a alteração do quadro dos profissionais de enfermagem, pós-pandemia, a decisão determina uma audiência com a direção da unidade de saúde.

A equipe de reportagem do GRUPO DIÁRIO DE COMUNICAÇÃO (GDC) esteve no Hospital Platão Araújo para conversar com a população. Segundo a paciente, Marielen Assis, 32, que foi para a unidade após ser atropelada, apesar de ser atendida sem muita demora, reclamou da lotação da unidade e o principal, a dificuldade para realizar uma cirurgia no braço que foi quebrado, serão quatro meses de espera.

“O atendimento em si foi bom, mas a demora foi muita porque estava todo mundo misturado. Tinha muita gente na maca e eu também, estava tudo misturado tanto adulto quanto idosos. A demora foi grande porque só tinha três médicos para muita gente”, explicou.

Do lado de fora da unidade, na porta principal do hospital, encontramos José Arlindo, 57, que estava aguardando sua amiga que estava sendo atendida. Ele reclama da falta de estrutura para atendimento adequado. “O que me deixa indignado é o descaso do Poder Público, do governo. A minha amiga está totalmente imobilizada em uma cadeira de rodas e não tem uma ambulância para fazer a locomoção? Eu tenho que trazer e levar ela para casa no meu carro, sem conforto nenhum, depois de trocar a sonda. Já entramos com várias solicitações para que uma ambulância faça esse transporte, mas sempre é negado. Isso é um descaso com o ser humano”, relatou.

Um profissional da saúde que pediu para não ser identificado relatou que alguns exames não estão sendo realizados. “Exames específicos como colonoscopia e endoscopia está difícil de marcar na rede pública. A família tem que dar um jeito para pagar particular ou o paciente morre sem diagnóstico”, disse para a nossa equipe.

De acordo com a decisão do Ministério Público do Amazonas, o inquérito civil vai continuar investigando o atendimento simultâneo de adultos e crianças, pacientes de urgência cirúrgica em uma única sala “politrauma”, sem qualquer privacidade, ou barreira que impeça a visualização dos procedimentos médicos; ausência de acolhimento humanizado dos pacientes adultos e crianças que se dirigem ao atendimento de urgência, permanecendo em uma única fila, do lado externo da unidade; a carência de técnicos de enfermagem para atender a triagem dos pacientes adultos e crianças no atendimento de emergência.

Anúncio