Atlas aponta alta de homicídios no Estado

De acordo com o estudo do Ipea, em 2017, o Amazonas apresentava taxa de 41 homicídios para cada 100 mil habitantes, puxada pela guerra entre as facções criminosas pelo tráfico de drogas

Manaus – O Amazonas, em 2017, apresentava uma taxa de 41 homicídios para cada 100 mil habitantes. Os números refletem a escalada da violência com a guerra entre facções criminosas no Estado que se organizaram no tráfico de drogas e dentro dos presídios do Estado. Os dados constam do Atlas da Violência, do estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quarta-feira (5).

Facções ampliaram a violência no Norte e Nordeste do País (Foto: Fernando Frazão/ABr)

Há uma década, diz o estudo, o Estado do Amazonas apresentava uma taxa de homicídios inferior à média nacional.

“Nesse período o índice de violência letal praticamente dobrou, sendo que a maior prevalência antes circunscrita à região metropolitana se espraiou para cidades do interior, numa dinâmica que acompanhou um processo nacional de interiorização do crime para cidades pequenas. Por outro lado – tendo em vista a amplitude e posição geográfica do Estado, que faz fronteira com Peru, Colômbia e Venezuela – é um território importante para a logística do narcotráfico, disputado por facções penais como o PCC e a Família do Norte (FDN) que protagonizaram a rebelião no Complexo Prisional Anísio Jobim, em Manaus, no dia 1º de janeiro de 2017”, detalha o texto.

No mês passado, uma cisão dentro da FDN causou, em dois dias, a morte de 55 detentos em cinco presídios do Amazonas.

O Atlas da violência mostra que 75,5% das vítimas de homicídio no País são negras, maior proporção da última década. O crescimento nos registros de assassinatos no Brasil, que alcançou patamar recorde em 2017, atinge principalmente essa parcela da população, para quem a taxa de mortes chega a 43,1 por 100 mil habitantes – para não negros, a taxa é de 16.

A taxa de homicídios no Brasil aumentou 4,2% de 2016 para 2017, chegando ao recorde de 31,6 mortes para cada 100 mil habitantes. O Brasil teve 65.602 homicídios em 2017, um número absoluto 4,9% maior de que em 2016.

A população jovem (15 a 29 anos) foi a principal vítima de homicídios no Brasil, com 35.783 mortos em 2017, sendo 94,4% do sexo masculino. Enquanto a taxa de homicídios geral está em 31,6 por 100 mil habitantes, a de jovens chega a 69,9 assassinatos para cada 100 mil habitantes.

Em nove unidades da Federação, essa taxa passa de 100 mortes por 100 mil habitantes: Rio Grande do Norte (152,3), Ceará (140,2), Pernambuco (133), Alagoas (128,6), Acre (126,3), Sergipe (125,5), Bahia (119,8), Pará (105,3) e Amapá (100,2).