Atuando na polícia e nos bombeiros, mulheres desfazem ideia de ‘sexo frágil’

Trabalhando na segurança pública, com prestação de socorro, combate a incêndios e patrulha policial, em Manaus, mulheres apontam que estão sendo cada vez mais respeitadas e valorizadas

Manaus – Trabalhando na segurança pública, combatendo a incêndios e oferecendo socorros públicos, mulheres policiais e bombeiros militares afirmam que desfazem, dia a dia, a ideia de ‘sexo frágil’. Por ocasião do Dia Internacional da Mulher, comemorado no dia 8 de março, mulheres apontam que são respeitadas e valorizadas, trabalhando de igual para igual com os homens, mesmo atuando em profissões tradicionalmente masculinas.

Atuando como investigadora da Polícia Civil, desde 2011, quando ingressou na corporação por meio de concurso público, Priscila Costa, 33, diz conseguir ser bastante flexível, desenvolvendo atividades tanto administrativas como operacionais que integram o Departamento de Polícia do Interior (DPI).

Segundo a investigadora de polícia, as policiais civis eram encaminhadas muito mais às atividades administrativas do que para as operações policiais. Ela apontou que as mulheres policiais vem mudando esse cenário, estando à frente de operações, de igual para igual com os homens.

“A mulher tem buscado cursos e desenvolvendo a atividade policial. Não se pode subestimar uma mulher nas operações”, disse a investigadora. De acordo com Priscila, essa é a característica da ‘mulher moderna’, mesclando traços femininos com as atividades profissionais que não sejam consideradas tradicionalmente femininas.

Por integrar o DPI, que coordena atividades policiais de delegacias do interior do Amazonas, também fazem parte da rotina da investigadora, viagens a municípios do interior do Estado. “Chego de sapato alto na delegacia e me perguntam se eu topo ir a Manacapuru em uma operação. Eu só respondo: me dá só um tempinho para eu trocar de roupa e vamos. Não tem tempo ruim”, disse Priscila, que apontou ir em um mesmo mês a diferentes cidades, como Tabatinga e Manacapuru.

Trabalhando como policial civil, a investigadora aponta que teve aflorada a coragem. “A gente se fortalece, fica mais destemida”, disse a investigadora.

Outra mulher que desenvolve a coragem dentro do âmbito profissional é a sargento da Polícia Militar (PM) Adriana Granjeiro, 41, que atualmente trabalha na 26ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom), na zona norte de Manaus.

Há quase 20 anos na PM, Adriana passou 11 anos atuando no Batalhão de Trânsito da corporação, cinco anos no Centro Integrado de Operações de Segurança (Ciops), outros dois anos na Secretaria de Segurança Pública (SSP). Nos últimos nove meses, a sargento passou a desempenhar o patrulhamento de rua.

Mãe de dois filhos, um de 9 anos e outro de um ano, a sargento aponta que a chave para atuar no ramo de segurança é aprender a conciliar as atividades profissionais com os papeis de mãe, além de esposa, já que ela é casada com um também policial militar.

“Por ser da mesma profissão, é mais fácil para meu marido entender minha rotina. Sem contar que conto muito com a ajuda da minha família. Sou super agradecida a minha sogra e a minha mãe”, disse Adriana.

A rotina inicia às 5h, quando a sargento acorda, leva o filho mais velho para a escola, prepara a mamada para o mais novo e segue para o plantão policial. Apesar da jornada extensa, a policial aponta que é possível conciliar a rotina da família com a atividade operacional de segurança. “Quando você coloca a farda, esquece um pouquinho a vida caseira e se dedica”, disse.

No dia a dia da corporação, a sargento disse que nunca sofreu preconceito por ser uma policial. “Já prendi homem, comandei patrulha e prendi normal”, disse.

Outra mulher dentro do campo operacional tradicionalmente masculino é a bombeiro militar, soldado Meirelane Nogueira Machado, 33, que trabalha há quatro anos no Corpo de Bombeiros do Amazonas. Com 1,55 m de altura, ela dirige ambulância e viatura de combate a incêndio da corporação e disse nunca ter sofrido preconceito dentro dos Bombeiros.

Para Meirelane, ser bombeiro militar é uma quebra de paradigmas. “Sou mulher, baixinha, magrinha e dirijo uma viatura. Tamanho não é documento e as pessoas admiram e me parabenizam”, disse Meirelane, acrescentando que a população fica, muitas vezes, surpresa ao ver uma mulher sair da viatura, quando normalmente esperam ver um homem desempenhando esse papel.

Dentro da corporação, a soldado não se acomodou apenas com a função de motorista da ambulância e da viatura, mas estudou para estar apta a operação de incêndios, salvamento em altura, atendimento pré-hospitalar, salvamento veicular e salvamento aquático. Aos 29 anos, Meirelane disse que se encontrou na profissão de bombeiro militar.

Assim como a sargento Adriana, a soldado é mãe de uma menina, de 10 anos, e também conta com a família para dar apoio no acompanhamento da filha enquanto está no plantão do Corpo de Bombeiros. “Não tem rotina e minhas irmãs ajudam muito. É meu trabalho e de onde tiro o sustento para as necessidades da minha filha, a independência”, acrescentou a bombeiro militar.

Apesar do avanço da mulher, ganhando espaço em ambientes de trabalho tradicionalmente masculinos, há ainda muito que lutar para que se possa, a cada ano, ter o que comemorar no Dia Internacional da Mulher.

É o que aponta a delegada Débora Mafra, que está a frente da Delegacia Especializada em Crimes Contra a Mulher (DECCM). “No mercado de trabalho, ok, mas ainda há muita construção machista no Brasil e devemos conscientizar os homens, lutar pelos nossos direitos”, disse a delegada que entrou na Polícia Civil aos 31 anos.

Devido ao trabalho na delegacia, Débora tem contato com mulheres em situação de vulnerabilidade social e emocional. Para a delegada, ainda há muitas mulheres frágeis e que ainda muito que lutar para que se possa comemorar, a cada ano mais, o Dia Internacional da Mulher.

Uma das formas de mudar esse quadro que atinge parte das mulheres é incentivá-las ao estudo em busca de melhorias financeiras. “Nós temos que estimular a mulher a ter o dinheiro dela. Que ela seja valorizada e respeitada e os filhos não podem ser empecilho”, disse.

A cada ano, com mais mulheres saindo da situação de violência, segundo a delegada, será mais fácil comemorar o Dia Internacional da Mulher.

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