Bombeiros fazem mais de 30 resgates em mata

Desde 2017, mais de 30 resgates em mata foram feitos pelo Corpo de Bombeiros do Amazonas. Ontem, dois jovens que se perderam na Reserva Adolpho Ducke conseguiram achar saída

Manaus – Desde o ano passado, ao menos 30 ocorrências de pessoas desaparecidas em área de mata foram atendidas pelo Corpo de Bombeiros, no Amazonas. Este ano, até o primeiro trimestre, três salvamentos em selva foram registrados pela corporação. Ontem, dois jovens que se perderam na Reserva Adolpho Ducke, na zona norte de Manaus, conseguiram achar saída após seguir uma tubulação.

Harrison da Silva Dávila, 17, e André Felipe Dávila Rivieira, 20, estavam perdidos desde a tarde da última quarta-feira (23). (Foto: Divulgação/Corpo de Bombeiros)

No caso dos primos Harrison da Silva Dávila, 17, e André Felipe Dávila Rivieira, 20, que foram tomar banho em um igarapé na Reserva Adolpho Ducke e estavam perdidos desde a tarde da última quarta-feira (23), os dois contaram que passaram a noite em claro e não conseguiram dormir, segundo o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM).

As buscas pelos dois começaram na manhã de quarta-feira e, na manhã seguinte, os jovens já estavam com a família. Os resgates deste tipo de salvamento são feitos pela equipe do Batalhão de Incêndio Florestal e Meio Ambiente (Bifma), do Corpo de Bombeiros.

A cada hora que passa, as chances de sobrevivência diminuem, segundo informou o sargento Pablo Rocha, do Bifma. A resistência ao grande período sem água e comida é variável, segundo informou Rocha, mas um dos casos atendidos pela corporação chamou a atenção, no início deste ano, em Novo Aripuanã.

A vítima que tinha deficiência intelectual ficou mais de 15 dias perdido na mata e foi encontrado com vida, conforme relatou o sargento. “Era um deficiente e isso impressionou. Impressionou a equipe a capacidade de resistência dele. Apesar da deficiência ele suportou, mas de 15 dias. Claro que a situação varia de pessoa para pessoa, mas o importante é encontrar um local para que possa beber água”, alertou o sargento Pablo Rocha.

O primeiro instinto das vítimas ao se perder na mata é andar em círculos. “Quando se perde na mata a primeira coisa que essa pessoa precisa procurar é um local para abrigo, alimento e água, isso os que entendem, né? Geralmente ela (vítima) começa a andar a esmo. E isso é o erro dela.”, disse o sargento.

A reserva Adolfo Ducke já é conhecida da corporação. Jovens e adolescentes costumam acessar a mata para tomar banho nos igarapés da reserva e acabam se perdendo. Rocha afirma que o trabalho dos cães, para a varredura é imprescindível. Com a ajuda dos animais a corporação consegue reduzir o tempo de busca, no entanto, quando a vítima consegue sinalizar de alguma forma os rastros seguidos, a busca fica mais eficaz.

“O tempo é vida. Quanto mais difícil de encontrar, mais a resposta ao resgate desse cidadão vai demorar”, alertou ele listando ainda a desidratação, a fome. E a exposição a animais peçonhentos como os principais riscos de passar a noite na mata.

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