Campanha ‘Setembro Amarelo’ alerta para a prevenção ao suicídio

Campanha tem o intuito de reduzir números estatísticos e, consequentemente, salvar vidas

Manaus – Ainda considerado tabu em muitos aspectos, o suicídio vem sendo amplamente debatido não apenas pela classe médica mundial, mas também pelos governos e Organizações Não Governamentais (ONGs), com o intuito de reduzir números estatísticos e, consequentemente, salvar vidas. Criada em 2014, a campanha ‘Setembro Amarelo’ tem como objetivo ajudar na prevenção da ação que atinge todas as classes sociais e faixas etárias.

Associação Amazonense de Psiquiatria (APP) diz que busca por ajuda aumentou após o início das campanhas (Foto: EBC)

De acordo com o diretor da Associação Amazonense de Psiquiatria (APP), Luiz Henrique Novaes da Silva – CRM-6964 e RQE-3566 –, a campanha ganhou amplitude quando a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), o Centro de Valorização da Vida (CVV) e o Conselho Federal de Medicina (CFM) se uniram para alertar a população a respeito do ato que é visto pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como questão de saúde pública.

“Em 90% dos casos, os sintomas por trás do ato estão os transtornos mentais que, se diagnosticados previamente, poderiam evitar a ação. Esses transtornos são tratáveis e temos o dever de estimular aqueles que sofrem com algum desses transtornos a procurar ajuda profissional”, explica Luiz Henrique. Segundo ele, a depressão e a bipolaridade respondem por quase 40% dos suicídios, seguido de pessoas que passam por problemas com uso de produtos químicos (30%). “Outros 20% respondem por transtornos menores, entre eles a esquizofrenia e os mais variados tipos de ansiedade”, conta.

Entre os sintomas de que a pessoa está com alguma desordem psicológica, o psiquiatra elenca tristeza que nunca passa e sem razão, baixa autoestima, vontade de chorar sem motivo, pensamentos negativos e falta de esperança. “É tudo sentido em uma intensidade tão grande que a pessoa não consegue suportar e foge do controle. Então, o pensamento suicida vem como sintoma da doença. A partir disso, ela precisa de uma ajuda profissional, pois essas desordens são tratáveis”, diz.

O especialista ressalta que um dos grandes problemas é a pessoa aceitar que precisa de tratamento devido ao estigma perante a sociedade. “Muitos possuem medo ou vergonha de procurar ajuda por conta de serem submetidos à brincadeira de mal gosto. Por isso, quanto mais falarmos e popularizarmos a campanha é melhor. Temos trabalhado muito no que diz respeito ao combate à psicofobia. A depressão e tantas outras doenças devem ser vistas com naturalidade… Qual o problema em ter depressão?”, reflete.

Para iniciar um tratamento, Luiz Henrique lembra que é preciso um diagnóstico e, a partir disso, começar o uso de remédios e buscar atividades sociais. “Em determinados casos, doenças endócrinas, reumatológicas e de outras especialidades simulam quadro depressivo. Muitas vezes, pode nem ser depressão, mas é preciso o diagnóstico para que isso seja identificado de forma correta. Quando constatado outro sintoma, é feito o encaminhamento ao especialista correto”.

Juntamente com a utilização de remédios, o ideal é que a pessoa faça acompanhamento com um psicólogo, invista em atividades físicas e também se envolva com a religião com que mais se identifique. “É a busca da valorização da vida. É preciso se inserir no contexto social para que ele possa suportar dores e estreitar laços de amizade”.

Ainda segundo o psiquiatra, desde que a campanha passou a ser amplamente difundida, a quantidade de suicídios reduziu. “Não temos números absolutos, pois as pesquisas com valor estatístico sustentável só tem valor pelo menos após seis anos de amostragem. Mas o impacto tem sido percebido devido a quantidade de pessoas que têm buscado ajuda nos consultórios”.

Luiz Henrique indica que, em momentos de aflição, a pessoa ligue no 188, número de apoio do CVV. “É um serviço de escuta. Não é terapia. A pessoa não vai conversar com um profissional, mas é um serviço realizado por voluntários de bom coração, treinados para ajudar nesse momento de desespero e que podem incentivar na busca de uma ajuda médica”.

O psiquiatra lembra, também, que o ato não é restrito a uma classe social ou faixa etária e que tem aumentado entre crianças e idosos. “No caso das crianças, muito tem a ver com ‘brincadeiras’ na internet e porque os pais não entendem o quadro psicológico dos seus filhos e acham que é algo passageiro. Já os idosos, acreditam que por estarem no ‘final da vida’, não podem mais fazer nada. Mas é bom lembrar que todos nós estamos sujeitos a quadros depressivos, portanto, sempre que possível observe e ajude quem precisa”, finaliza.

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