Câncer de próstata é diagnosticado de forma tardia em cerca de 20% dos casos

Médico cirurgião urologista alerta para a importância dos exames de rastreio para a descoberta precoce da doença, o que aumenta as chances de cura e com menos sequelas ao paciente

Manaus – Cerca de 20% dos casos de câncer de próstata no Brasil são diagnosticados de forma tardia. O quadro se repete no Amazonas, que tem previsão de 580 diagnósticos da doença, em 2018, segundo projeção do Instituto Nacional do Câncer (Inca). Para mudar essa realidade, iniciativas como o Novembro Azul, voltado à saúde masculina, e que ainda acontece de forma tímida no País, precisam ganhar força, destacando cada vez mais a importância dos exames de rastreio para a descoberta precoce da doença. O alerta é do cirurgião urologista Giuseppe Figliuolo.

Giuseppe Figliuolo afirma que há desconhecimento da população sobre as causas e fatores de risco da doença. (Foto: Divulgação)

Ele explica que, além do preconceito dos homens em relação a exames como o de toque retal, há, ainda, o desconhecimento por parte da população, sobre as causas, fatores de risco e idade em que as avaliações clínicas devem ser iniciadas.

“Lembramos que, a partir dos 50 anos, é importante buscar um especialista e iniciar os check-ups anuais. Quem tem história de câncer na família deve antecipá-los para os 45 anos. Quanto mais cedo ocorrer o diagnóstico, maiores são as possibilidades de cura”, frisou o urulogista da Urocentro.

Fligliuolo ressalta que o número estimado pelo Inca pode ser ainda maior, uma vez que a subnotificação, ou seja, aquela não formalizada, é uma realidade praticada em todo o País.

Mitos e verdades

Sobre o tratamento, ele explica que não é regra que todo homem submetido à cirurgia ou radioterapia, para o tratamento do câncer de próstata, fique sexualmente impotente. “A grande verdade é que, se descoberto cedo, o câncer de próstata pode ter a indicação de tratamentos menos invasivos e com menores riscos de sequelas, como a impotência”, afirmou o especialista.

A disfunção erétil oriunda da cirurgia (prostatectomia radical) ocorre, geralmente, quando o volume tumoral é maior, o que significa, em geral, que a doença já tem um tempo significativo de evolução. Assim, o procedimento cirúrgico pode abranger o conjunto de nervos denominado ‘plexo vasculo-nervoso periprostático’, responsável pela potência sexual masculina.

“Mas, com a doença em fase inicial, as possibilidades de manutenção da potência sexual são bastante significativas. Por isso, é importante não esperar que sintomas como dores pélvicas, incontinência urinária e dor na hora de urinar, apareçam, para buscar a ajuda de um especialista. É preciso se antecipar”, alertou o especialista.

Exames

Além do toque retal, outros exames como o PSA (antígeno prostático específico) e a ressonância magnética podem dar apoio ao diagnóstico, que é concluído com a realização de biópsia (análise patológica).

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