Cartão de vacina deve virar pré-requisito na matrícula de jovens em escolas

Baixas adesões a campanhas de vacinações ligou o sinal de alerta do governo federal, que estuda exigir a imunização para matrícula de crianças em escolas. Em Manaus, sugestão foi bem recebida pela Semsa

Manaus – Durante evento realizado na última semana, pela Procuradoria-Geral da República (PGR) para discutir os baixos indicadores de vacinação no País, a coordenadora do Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde (MS), Carla Domingues, informou que a carteira de imunização pode ser um dos pré-requisitos para que crianças e adolescentes sejam matriculados nas escolas. De acordo com ela, o MS já estuda a possibilidade com o Ministério da Educação (MEC). Até o momento, há apenas uma recomendação de que o certificado seja apresentado no ato da matrícula.

Governo teve que prorrogar campanhas contra sarampo e poliomielite para que a meta fosse atingida (Foto: Sandro Pereira/Arquivo)

Coordenadora do Departamento de Vigilância Ambiental e Epidemiológica (Devae) da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), Marinélia Ferreira, diz ver a ação “com bons olhos”. “Isso vai reforçar a importância da vacina. Ela já é um direito garantido no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e todo pai deve ser corresponsável por isso. As doses imunizadoras estão disponíveis nas salas de vacina e devem ser acompanhadas conforme o cartão de vacinação, documento este que deve ser guardado e que garante parte da saúde de toda criança”, comenta ela.

Ainda segundo Marinélia, a Semsa, no início do ano, estava em tratativas com a Secretaria Municipal de Educação (Semed) para a implantação de um Centro Vacinal das Escolas, como parte integrante do Programa Saúde na Escola (PSE).

Ela explica, ainda, que o documento já é pedido no ato da matrícula escolar, mas não é obrigatório. “A Semed nos explicou que existe uma orientação para que pais ou responsáveis apresentem o cartão no momento da matrícula, independentemente das futuras decisões dos ministérios. Porém, não se pode restringir o acesso à escola, caso o documento não seja apresentado”, fala.

Dados

Marinélia Ferreira adianta que a Semsa atingiu bons resultados durante as campanhas de combate ao sarampo e a poliomielite, mas que a adesão de pais e responsáveis ainda é baixa. “Em Manaus, atingimos a meta proposta pelo MS, chegando a 95,2% de crianças vacinadas no caso da polio e 106%, no caso do sarampo. Mas a baixa adesão ainda é constatada nas salas de vacinação”.

Ela acredita que, entre os fatores, está o desconhecimento ou falta de contato com as doenças. “As pessoas entendem que, como não tiveram contato com algumas dessas doenças, elas não existem mais. Têm aqueles que também desconhecem a existência dos vírus. Mas é bom esclarecer que em questão de horas, as pessoas rodam o mundo e podem ser contaminadas e fazerem o vírus ‘rodar’. O Sistema Único de Saúde (SUS) garante 17 imunobiológicos que previnem contra 23 doenças e tudo gratuitamente. Quem conhece a realidade de outros países, sabe que isso custa muito caro”, revela.

De acordo com dados apresentados pela Secretaria de Estado de Saúde (Susam), o Estado do Amazonas teve 95,05% de cobertura na campanha de poliomielite e 97,41% na campanha de sarampo.