Amazonas tem recorde de mortes no 1º semestre

O número é 128,6% maior que a média histórica de óbitos no estado (6.720), e 39,4% maior que os ocorridos no ano passado (11.019)

Manaus – Nunca se morreu tanto em um primeiro semestre como em 2021 de acordo com dados do Portal da Transparência do Registro Civil. Diferença entre nascimentos e óbitos é a segunda menor já registrada desde o início da série histórica.

(Foto: Divulgação)

Mesmo com o avanço da vacinação no Amazonas e a diminuição de mortes no Estado, a pandemia da Covid-19 ainda vem revelando os grandes impactos causados nas estatísticas vitais da população. Além das mais de 13 mil vítimas fatais atingidas pela doença no estado, o novo coronavírus vem alterando a demografia de uma forma nunca vista na série histórica dos dados estatísticos dos Cartórios de Registro Civil no Brasil, iniciada em 2003: nunca se morreu tanto em um primeiro semestre como neste ano de 2021.

Em números absolutos os Cartórios amazonenses registraram 15.364 óbitos até o final do mês de junho. O número, que já é o maior da história em um primeiro semestre, é 128,6% maior que a média histórica de óbitos no estado (6.720), e 39,4% maior que os ocorridos no ano passado (11.019), com a pandemia já instalada há quatro meses no Amazonas. Já com relação a 2019, ano anterior à chegada da pandemia, o aumento no número de mortes foi de 109,8%, frente aos 7.321 falecimentos no período.

Os dados constam no Portal da Transparência do Registro Civil, base de dados abastecida em tempo real pelos atos de nascimentos, casamentos e óbitos praticados pelos Cartórios de Registro Civil do País, administrada pela Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen-Brasil), cruzados com os dados históricos do estudo Estatísticas do Registro Civil, promovido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com base nos dados dos próprios cartórios brasileiros.

Comparando-se os números de mortes com o de nascimentos, o primeiro semestre no estado registrou uma diminuição na diferença entre 2021 e a média histórica, entre os anos de 2003 a 2020. De janeiro a junho deste ano, foram feitos 35.274 registros de nascimento, o que, comparando-se com as 15.364 mil mortes do mesmo período, resulta em uma diferença de apenas 19.910 nascidos vivos. O número é 21,2% menor do que a média para o período de 2003 a 2020, que sempre esteve na casa de 25.264 nascimentos a mais que óbitos.

“Os Cartórios do Amazonas são termômetros que evidenciam os impactos da pandemia, principalmente levando em consideração as variações demográficas da população. Nesse sentido, o Portal da Transparência tem sido amplamente usado pela sociedade para se ter um retrato fiel do que tem acontecido não só no nosso estado, mas também no País neste momento de pandemia”, disse o presidente da Associação dos Notários e Registradores do Amazonas (Anoreg/AM), Marcelo Lima Filho.

Casamentos

As celebrações de matrimônios entre casais do estado também foram diretamente afetadas, do ano passado para cá. Embora 18,2% menor que a média histórica de casamentos no primeiro semestre no Amazonas, o número de matrimônios em 2021 aponta uma recuperação em relação às celebrações do ano passado, fortemente impactadas pela chegada da pandemia que adiou cerimônias civis em virtude dos protocolos de higiene necessários à contenção da doença. Até junho deste ano, os Cartórios do Amazonas celebraram 5.028 casamentos civis, número 54,7% maior que os 3.251 matrimônios realizados no ano passado.

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