Caso Flávio: defesa questiona mandados de busca e apreensão

Segundo Tallita Lindoso, advogada de Igor Ferreira, cunhado de Alejandro Valeiko, a única informação que a defesa obteve foi por meio da coletiva de imprensa, realizada pelo MPE, nesta quarta (11)

Manaus – Após o Ministério Público do Amazonas (MPE) cumprir dois mandados de busca e apreensão, na manhã desta quarta-feira (11), em que teve como um dos alvos Igor Gomes Ferreira, cunhado de Alejandro Molina Valeiko, a advogada dele, Tallita Lindoso, se pronunciou sobre o caso e afirmou que a defesa não teve acesso a decisão judicial que ensejou os mandados.

A advogada Tallita Lindoso destacou que é direito de todo cidadão saber o motivo pelo qual a sua casa está sendo violada, mesmo que com uma autorização judicial (Foto: Divulgação)

“Nesse mandado de busca, não foi disponibilizada a decisão judicial que ensejou essa busca e apreensão. Então, até o momento, a defesa não teve acesso a essa decisão judicial. Nós não sabemos do que se trata”, disse.

Segundo Tallita, a única informação que a defesa obteve foi por meio da coletiva de imprensa, realizada pelo MPE, na manhã desta quarta-feira, quando foi informado que isso faria parte do Procedimento de Investigação Criminal (PIC) que está sendo feito em relação ao caso do homicídio do engenheiro Flávio Rodrigues dos Santos, ocorrido no dia 29 de setembro de 2019.

“A defesa já protocolou um pedido de cópia integral dessa investigação e também protocolamos um pedido para termos acesso a essa decisão. Lembrando que é direito constitucional de todo cidadão ter acesso a toda a informação relacionada a seu direito de defesa”, afirmou.

Conforme a advogada, pelo direito constitucional, é direito de todo cidadão saber o motivo pelo qual a sua casa está sendo violada, mesmo que com uma autorização judicial.

“Então, há uma decisão, mas eu não tive acesso a ela. Com isso, eu não posso dizer para vocês se essa busca foi legal, se foi ilegal, se houve algum tipo de abuso ou algum tipo de constrangimento”, pontuou.

Além disso, a advogada falou a respeito dos vazamentos de imagens que foram feitas no momento das buscas na casa de Igor Gomes.

“Foram vazadas fotos, de dentro da sede do Ministério Público do Estado do Amazonas, contendo tudo o que foi apreendido dentro da casa. E, me desculpem, mas isso me causa até uma revolta, porque nós estamos falando do direito a intimidade do meu assistido. Nós estamos falando do direito de privacidade que todo cidadão tem”, ressaltou.

Dinheiro apreendido não pertencia ao investigado pelo MPE

Durante a coletiva realizada pelo MPE, o órgão informou que foram apreendidos objetos como aparelhos celulares e computadores, além de uma quantia em dinheiro, da qual os representantes não souberam estimar o valor.

De acordo com a advogada Tallita Lindoso, o dinheiro apreendido “está sendo veiculado com intuito malicioso de trazer qualquer tipo de ilicitude” por parte de seu assistido. Ela afirmou que acompanhou o momento da apreensão, e o sogro de Igor Gomes, Alejandro Molina, estava na casa com a filha dele, Paola Valeiko, que é irmã de Alejandro Valeiko.

“O dinheiro foi apreendido do bolso do sr. Alejandro Molina, dele e do cofre da casa, mas pertencia a ele. Ele tem recibo, tem imposto de renda, e tem como comprovar a origem desses valores. Como ele é estrangeiro, anda com moeda estrangeira. No momento em que isso foi apreendido, ele informou ao delegado da Polícia Civil que acompanhava o caso, e que ele comprou esses dólares para que pudesse se manter durante o período que está aqui”, explicou.

A advogada afirmou que o delegado de Polícia Civil que estava acompanhando as investigações chama-se Paulo Henrique Benélio. “O delegado disse que isso seria interessante para as investigações. Mas, daí eu pergunto: o que os valores encontrados no bolso do pai de Alejandro têm a ver com a morte de Flávio? O que precisa ser levantado aqui em questão é até que momento essas investigações estão buscando a verdade por Flávio, ou isso nada mais é do que uma perseguição política”, completou.

Sobre o dinheiro apreendido, a advogada disse que o consulado chileno foi acionado e já entrou com um pedido formal para que o Estado e o País explique o motivo da apreensão.

“O Estado do Amazonas e o Brasil vão ter que explicar por que um material pertencente a um chileno foi apreendido de maneira arbitrária, afinal de contas o mandado de busca era única e exclusivamente para o sr. Igor. Então, o seu Alejandro, a Paola e todas as pessoas que estavam na casa, não eram alvos dessa busca e apreensão. Eu espero que nós não tenhamos um incidente internacional entre Brasil e Chile pelas arbitrariedades de um processo que investiga um homicídio”, pontuou.

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