Casos de feminicídio crescem 200% no Amazonas

Em 2018, foram registrados quatro casos de feminicídio no Amazonas; no ano passado, esse número saltou para 12

Manaus – Dados de um levantamento do Portal G1 em parceria com o Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo (USP) e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostraram que os casos de feminicídio no Amazonas subiram 200% entre os anos de 2018 e 2019. Em todo o País, houve um aumento de 7,3% nos casos, ou seja, são 1.314 mulheres mortas pelo fato de serem mulheres – uma a cada 7 horas, em média.

Segundo os dados, em 2018 foram registrados quatro casos de feminicídio no Amazonas. Já no ano passado esse número saltou para 12.

Em 2018, a taxa de feminicídio no Estado ficou em 0,2 para cada 100 mil mulheres, enquanto que ano passado a taxa ficou em 0,6 – menor índice do País. Acre e Alagoas têm as maiores taxas com com 2,5 cada.

Alta nacional acontece na contramão do número de assassinatos no Brasil (Foto: Reprodução)

A alta nacional acontece na contramão do número de assassinatos no Brasil em 2019, o menor da série histórica do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O País teve 19% menos mortes em 2019 que em 2018. Se forem consideradas apenas as mortes de mulheres, o que inclui também os casos que não são classificados como feminicídios, houve uma diminuição de 14% – menor, mas, ainda assim, um recorde.

Este é o segundo ano seguido em que o número de mulheres vítimas de homicídios cai, mas os registros de feminicídios crescem no País. Em 2019, houve uma alta de 12% nos feminicídios e uma queda de 6,7% nos homicídios dolosos de mulheres.

Desde 9 de março de 2015, a legislação prevê penalidades mais graves para homicídios que se encaixam na definição de feminicídio – ou seja, que envolvam ‘violência doméstica e familiar e/ou menosprezo ou discriminação à condição de mulher’. Os casos mais comuns desses assassinatos ocorrem por motivos como a separação.

As pesquisadoras alertam que a melhora nos registros é fundamental, mas que “o constante aumento do feminicídio indica a necessidade de políticas públicas de prevenção específicas para o problema, que vão além das políticas de controle da criminalidade urbana”.