Casos de HIV diminuíram 20,73% de janeiro a outubro, no Amazonas

Ainda assim, 1.017 novos casos de HIV foram registrados, de janeiro a outubro deste ano no Estado

Manaus – Em Manaus, 1.017 novos casos de HIV (Vírus da Imunodeficiência Humana) foram registrados, de janeiro a outubro deste ano, segundo dados divulgados pela Secretaria Municipal de Saúde (Semsa). Comparado ao ano anterior, houve uma redução de 20,73%. O número de casos predomina entre os indivíduos de 15 a 29 anos (598), seguido da faixa etária de 30 a 49 anos (365). O sexo masculino apresenta o maior número (76,9%), quando comparado ao feminino (23,1%).

O Amazonas é o segundo da região com mais casos de HIV, atrás somente do Pará (Foto: Marinho Ramos/Semcom)

Conforme o Ministério da Saúde (MS), com base no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), em 2018, o Amazonas registrou 1.671 casos. Já os Indicadores e Dados Básicos de Monitoramento Clínico de HIV da pasta aponta que 1.482 foram diagnosticados de maneira tardia, no ano passado. Somente na capital, 1.304 casos foram detectados.

Até o mês de junho deste ano, no Amazonas, já foram notificados 706 novos casos de HIV. De acordo com o boletim epidemiológico do MS, entre os estados da Região Norte, o Amazonas é o segundo com o maior número de casos, ficando atrás do Pará (721).

Em todo o País, até junho de 2019, já foram registrados 17.873 casos. Já em 2018 foram notificados 43.941 casos. Apesar de o Ministério da Saúde considerar os dados positivos, a pasta acredita que 135 mil pessoas vivem com HIV no País e não sabem. A maioria dos casos de infecção no Brasil é registrada na faixa etária de 20 a 34 anos, com 18,2 mil notificações (57,5%).

A técnica do Núcleo de Controle das Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST/AIDS) da Semsa, assistente social Ana Carolina Leão, afirmou que, pelos números, é possível constatar que grande parte da sociedade não tem dimensão do que é a doença. Ela destacou, ainda, que, atualmente, as possibilidades de tratamento do HIV possibilita ao portador ter uma boa qualidade de vida.

“Infelizmente, o HIV tem sido encarado, há algum tempo, como uma doença crônica, como se fosse uma hipertensão, um diabetes. Então, parece que saímos daquela era dos anos 80 que, quando se falava em AIDS, se pensava em morte. Hoje não, você pensa em vida. Você pensa que essa pessoa vive normalmente”, disse.

A assistente social explicou que o HIV está entre as doenças classificadas, hoje, como Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST), que são causadas por vírus, bactérias ou outros microrganismos. Ela explicou que isso não significa que a pessoa portadora do vírus tenha AIDS, que é a fase terminal da doença.

“Isso não significa que a pessoa esteja doente. Ela não manifesta sinais, não manifesta sintomas. Em alguns casos, sim. Mas, quando a gente fala do HIV, não. Ela pode, sim, evoluir para a AIDS, vindo a manifestar sinais da doença”, explicou.

‘Dezembro Vermelho’

Com o objetivo de conscientizar a população sobre as IST, neste mês é realizada campanha ‘Dezembro Vermelho’, em que as ações de combate são intensificadas.

Durante todo o mês, serão ampliadas as testagens rápidas (fluido oral e autoteste) para diagnóstico do HIV e outras IST, de forma conjunta com atividades educativas, enfatizando a prevenção, bem como a oferta de preservativos, gel lubrificante, profilaxia pós-exposição e pré-exposição, entre outros.

Segundo a assistente social Ana Carolina Leão, as unidades municipais disponibilizarão testes rápidos para identificar quatro IST, sendo elas o HIV, a sífilis e as hepatites B e C. “Estamos com 174 unidades ofertando estes testes, que a população consegue ter acesso ao resultado em 20 a 30 minutos”, ressaltou.

As infecções são transmitidas por meio do contato sexual (oral, vaginal, anal) sem o uso de camisinha masculina ou feminina. A transmissão de uma IST pode acontecer, ainda, da mãe para a criança durante a gestação, parto ou na amamentação, além do uso de objetos perfurocortantes contaminados (agulhas, alicates de unha, lâminas de barbear).

Conforme a Semsa, no Brasil, as estimativas da Organização Mundial de Saúde (OMS) de IST na população sexualmente ativa, a cada ano, são 937 mil para sífilis, 1.541.800 para gonorreia, 1.967.200 para clamídia, 640.900 para herpes genital e 685.400 para HPV.

O preservativo (camisinha) ainda é o método mais conhecido, acessível e eficaz para se prevenir das IST, apesar de já existir outros métodos, como a Profilaxia Pré-Exposição (PrEP), que consiste na tomada diária de um comprimido que impede que o vírus causador da AIDS infecte o organismo, antes de a pessoa ter contato com o vírus.

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