Cientista afirma que FVS é ‘desrespeitosa’

Jesem Orellana, da Fiocruz, reafirmou ao programa ‘DIÁRIO DA MANHÃ,’ da RÁDIO DIÁRIO, que o Amazonas vive uma segunda onda da pandemia e que a nota enviada na última quarta pela FVS é “desrespeitosa”

Manaus – Depois da divulgação de estudos feitos por pesquisadores renomados, o cientista Jesem Orellana, da Fundação Oswaldo Cruz – Fiocruz Amazônia, reafirmou, em entrevista exclusiva ao programa ‘Diário da Manhã’ da RÁDIO DIÁRIO 95,7 FM, que o Amazonas vive uma segunda onda e que a nota enviada na última quarta-feira (16) pela Fundação de Vigilância em Saúde (FVS) é desrespeitosa. Para conter o avanço da doença, o Município anuncia nesta sexta-feira (18) novas medidas.

“A nota da FVS foi desrespeitosa com a sociedade. Essas pessoas que estão se contaminando, são as pessoas que estavam em isolamento, devido à atitude irresponsável do Governo do Estado do Amazonas e da FVS-AM, fazendo uma flexibilização, praticamente, generalizada. Se você como autoridade sanitária, autoriza as pessoas a fazerem isso, e claramente tem uma baixíssima capacidade para fiscalização, obviamente a Covid-19 vai aumentar, os casos irão aumentar e isso já está sendo mostrado pelos boletins”, explicou o pesquisador.

Pesquisador Jesem Orellana concedeu entrevista ao GRUPO DIÁRIO DE COMUNICAÇÃO (GDC) (Foto: Fiocruz/ Divulgação)

A nota enviada pela FVS mostrava que os dados de notificação registraram um aumento da ocupação em 6% nos leitos públicos de UTI e 10% nos leitos privados. Nos leitos clínicos, houve um crescimento de 20% de ocupação na rede pública e 30% na rede privada.

No início de agosto, o doutorando do programa de Biologia (Ecologia) do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Lucas Ferrante, alertou que o Amazonas passaria pela segunda onda, em um artigo publicado na revista científica Nature Medicine.

“Nós avisamos sobre a segunda onda em Manaus desde o dia 7 de agosto. Em um artigo publicado na Nature Medicine, eu outros sete autores de diferentes instituições avisamos pela primeira vez sobre a segunda onda. No dia 4 de setembro, nos reunimos com procuradores do MP-AM e apresentamos os modelos epidemiológicos da segunda onda, além de apontar inconsistências graves nos boletins diários da FVS. No dia 11 de setembro, refizemos uma reunião com os procuradores do MP, desta vez com a participação da FVS onde apontamos as falhas dos boletins, sendo estas falhas admitidas pela própria diretora da FVS. Fica claro nesse momento a necessidade de tomar medidas mais rígidas de isolamento sociais e necessidade eminente de suspensão das aulas presenciais.”, alertou Ferrante.

Nesta sexta-feira (18), o prefeito de Manaus, Arthur Neto anuncia novas estratégias de combate à propagação da Covid-19.

Amazonas chega a 129.501 casos confirmados do novo coronavírus

A Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM), divulgou, nesta quinta-feira (17), o Boletim Diário Covid-19, edição nº 169, confirma o registro de 650 novos casos confirmados de Covid-19, totalizando 129.501 casos da doença no Estado. Ainda conforme o boletim, o número de pessoas recuperadas é de 109.874.

Dos 129.501 casos confirmados no Amazonas até esta quinta-feira (17), 46.604 são de Manaus (35,99%) e 82.897 do interior do Estado (64,01%).

Conforme o boletim, foram confirmados quatro óbitos por Covid-19 ocorridos nas últimas 24 horas, e sete por confirmação diagnóstica na data de hoje, elevando para 3.931 o total de mortes. Na capital, de acordo com dados da Prefeitura de Manaus, nesta quarta-feira (16), foram registrados 38 sepultamentos e oito óbitos em domicílio. O boletim acrescenta ainda que 15.696 pessoas com diagnóstico de Covid-19 estão sendo acompanhadas, o que corresponde a 12% dos casos confirmados ativos.

Entre os casos confirmados de Covid-19 no Amazonas, há 272 pacientes internados, sendo 182 em leitos clínicos (67 na rede privada e 115 na rede pública) e 90 em UTI (46 na rede privada e 44 na rede pública).

Há ainda outros 55 pacientes internados considerados suspeitos e que aguardam a confirmação do diagnóstico. Desses, 36 estão em leitos clínicos (20 na rede privada e 16 na rede pública) e 19 estão em UTI (14 na rede privada e cinco na rede pública).

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