Comando-geral volta atrás e revoga decisão contra família do PM Portilho

Comandante-geral revogou portaria em que PM exigia da família do cabo Paulo Sérgio Portilho o ressarcimento pelo extravio da moto e do celular que ele usava no dia em que foi morto

Manaus– O comandante-geral da Polícia Militar (PM) coronel David de Souza Brandão revogou, nesta quinta-feira (12), a portaria assinada, no último dia 6 pelo subcomandante da corporação, coronel Álvaro Cavalcante. Na decisão, a PM exigia da família do cabo Paulo Sérgio Portilho, o ressarcimento à Fazenda Pública pelo extravio da moto e do celular que ele usava no dia em que foi morto.

A PM exigia o ressarcimento pelo extravio da moto e do celular que ele usava no dia em que foi morto. (Foto: Arquivo)

Para a viúva do policial, Aleandria Nascimento, a notícia da revogação causou alívio à família, que agora vai lutar pela indenização, promoção pós morte e pensão, que já foram solicitadas. A revogação foi publicada, no Boletim Geral (BG) da PM, na última quinta-feira.

De acordo com o documento, Brandão determinou à Diretoria de Justiça e Disciplina (DJD) que instaure Sindicância Regular para apurar as circunstâncias da morte do cabo Portilho e demais consequências como o extravio de material da Fazenda pública, ou seja, a moto e o celular.

Brandão determinou, ainda, que a assessoria Jurídica Administrativa Institucional (AJAI) emita informações para verificar se familiares do cabo tem ou não direito à promoção post morten, indenização por parte do Estado e pensão especial.

Despacho publicado no Boletim Geral da PM. (Foto: Reprodução)

Primeira decisão

O comando da PM revogou a decisão, depois que a família do policial se indignou com o ato assinado pelo subcomandante, coronel Álvaro Cavalcante. O resultado da sindicância, que tramitava desde junho do ano passado, indicava que os familiares do cabo Portilho teriam que ressarcir o Estado pelo desaparecimento da moto e do celular que o policial usava no dia em que foi morto.

Portilho foi assassinado no dia 26 de maio do ano passado, mas o corpo só foi encontrado quatro dias depois, enterrado em uma área de mata, na invasão Buritizal Verde, no Nova Cidade, na zona norte de Manaus. De acordo com a sindicância que foi revogada, o policial deveria estar de serviço no suporte técnico da instituição, mas de forma ainda não esclarecida foi rendido e morto pelos traficantes, após ser reconhecido como policial na invasão.

A viúva de Portilho, Aleandria Nascimento, disse que a família se sentiu indignada pelo fato da notícia de que seriam obrigados a pagar pelos objetos extraviados. “No início da sindicância eu já havia alertado sobre a necessidade de se saber sobre o paradeiro da moto que ele usava no dia em que foi morto, mas não deram atenção. Sabia que isso poderia acontecer”, disse.

Segundo ela, a revogação da primeira decisão causou alívio à família. “Graças a Deus agora eles deram o devido valor e mais atenção”, acrescentou Aleandria informando que já ingressou com requerimento com pedido de pensão, indenização e promoção pós morte. Ela acredita que com toda essa repercussão, a PM vai dar andamento nesses processos, os quais segundo ela, estavam há 42 dias parados.

Confira o Boletim Geral na íntegra aqui!

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