Comoção e revolta marcam enterro de motorista de aplicativo, em Manaus

O enterro teve a presença de vários amigos de profissão de Armedes Matias Abdel Mussa, de 39 anos, assassinado na madrugada do último domingo (17)

Manaus – Assassinado na madrugada do último domingo (17), o motorista de aplicativo Armedes Matias Abdel Mussa, 39, foi sepultado, na tarde desta segunda-feira (18), em clima de comoção e revolta. Mussa foi encontrado morto por volta de 1h de domingo, em um terreno de uma igreja, na Rua 111, conjunto Cidadão VI, bairro Nova Cidade, zona norte de Manaus. Ele foi morto com quatro tiros, que atingiram a cabeça, o ombro, um braço e as costas. O enterro teve a presença de vários amigos de profissão de Mussa, todos em clima de revolta, o que gerou manifestação e muita tristeza. O motorista deixou esposa e um casal de filhos, de 13 e 9 anos.

(Foto: Jimmy Geber)

Tiago Rodrigues, 29, motorista de aplicativo, afirmou estar exposto à violência. “Nós estamos a mercê dos ‘clientes’, porque existem pessoas que se dispõem a solicitar corrida para quem não tem o aplicativo e, com isso, acabam nos colocando em risco. Quem garante que aquela pessoa tem boas intenções? E isso nos revolta. Somos pais e mães de família, (somos) trabalhadores”.

Segundo Rodrigues, que também administra um grupo de motoristas em uma rede social, durante uma semana ocorrem de cinco a dez assaltos e que, durante o primeiro trimestre do ano, este é o segundo homicídio de motoristas de aplicativos.

A aposentada Nilza Cardoso de Melo, 56, afirmou que o filho dela também foi vítima de violência. Ela comprou um carro modelo Voyage na cor branca, de placa PHP 4050, que foi roubado em dezembro do ano passado, quando o filho dirigia pelo aplicativo. “Meu filho estava desempregado, fiz empréstimo no banco e comprei (o carro) para ele trabalhar. Passou só quatro dias nas nossas mãos, pois um ‘passageiro’ colocou a arma na cabeça do meu filho, na Avenida Manaus 2000, e levou o carro. Graças a Deus não fez nada com meu filho, porque se meu filho tivesse morrido eu não me perdoaria. Mas, gostaria de pedir celeridade da polícia para encontrar o carro, pois estou devendo o banco. Pago o valor de R$ 1.200 por mês”, desabafou.