Contaminação por poluentes químicos está provocando a feminilização de peixes

De acordo com especialistas, a transformação ocorre em função dos poluentes terem um alto nível de estrogênio, o hormônio sexual feminino produzido nos ovários, e tem atrapalhado a reprodução

Manaus – Águas de rios e mares de várias partes do mundo contaminadas por poluentes químicos estão provocando a feminilização de peixes, em função dos poluentes terem um alto nível de estrogênio, o hormônio sexual feminino produzido nos ovários. O assunto foi apresentado na última sexta-feira (8), no encerramento do 11º Simpósio Internacional de Fisiologia da Reprodução (ISRPF), que desde o último domingo reuniu em Manaus os maiores especialistas da área. As informações são do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).

Assunto foi apresentado no encerramento do 11º Simpósio Internacional de Fisiologia da Reprodução (ISRPF), em Manaus. (Foto: Inpa/Divulgação)

O professor da University of Exeter (Inglaterra), Charles Tyler, busca entender em seus estudos como os poluentes químicos, que de uma forma ou de outra sempre vão parar nas águas, impactam o funcionamento da vida selvagem, mais especificamente de peixes, o grupo selvagem mais exposto a poluentes. Uma das propostas do biólogo especializado em reprodução de peixes e ambientalista é produzir ajuda na proteção da vida selvagem dos peixes nesses ambientes.

Há cerca de 100 mil tipos de poluentes químicos no ambiente e de forma regular são despejados pelo menos 30 mil. Produtos farmacêuticos como os anticoncepcionais, veterinários, cosméticos, de higiene, limpeza e agrotóxicos estão na lista.

A equipe de Tyler está interessada nos poluentes que ferem ou mutilam o sistema reprodutivo dos peixes. Muitas evidências mostram que eles podem modificar a maneira com que os peixes desenvolvem seu sexo, afetando a habilidade das espécies de se reproduzir e a reprodução é importantíssima para se continuar com essas populações animais.

Segundo o pesquisador, um dos maiores desafios da ecotoxicologia (estuda a influência das substâncias tóxicas sobre o ambiente) é os efeitos desses poluentes químicos no tamanho da população, e na maioria dos casos os estudos encontram problemas na população de peixes no mundo, incluindo até extinção e perda local dessas populações. “O que se vê é que esses poluentes têm um nível muito alto de estrogênio e isso tem causado uma feminilização da população, mas ainda não dá para dizer que é isso que está fazendo extinguir”, destacou Tyler.

A maioria desses estudos é feito nos Estados Unidos, Europa e Austrália. No Brasil está iniciando, inclusive incluindo como área de pesquisa a Bacia Amazônica. “Não há dúvida de que temos problema de poluição na Amazônia, mas não se sabe se o problema aqui é tão grande quanto já é na Europa”, conta.

Na Bacia Amazônica há um sistema de rios enorme que dá uma capacidade maior de diluição dos poluentes. “É muito provável que os problemas que percebemos na Europa e no resto do mundo também ocorram na Bacia Amazônica. Agora o nível e o grau de impacto ainda estão por ser estudados”, completou.

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