Coronavírus: pesquisa com cloroquina avança no AM

Pesquisadores de todo o mundo buscam controlar a pandemia de coronavírus por meio do desenvolvimento de novas medicações

Manaus – A corrida contra o tempo em busca da possível medicação para pacientes no tratamento do novo coronavírus, que tem deixado diariamente centenas de mortos pelo mundo, a pesquisa clínica ‘CloroCovid19’, liderada pelo médico infectologista Marcus Vinícius Lacerda, da Fiocruz Amazônia e da Fundação de Medicina Tropical (FMT-HVD), visa avaliar a eficácia da medicação Difosfato de Cloroquina em pacientes com diagnóstico de doença respiratória grave.

Doses da medicação cloroquina têm sido ministradas em pacientes do Estado (Foto: Yago Frota/GDC)

O estudo é realizado no pronto-socorro Delphina Rinaldi Abdel Aziz, em Manaus, em mais de 400 indivíduos de ambos os sexos e idade entre 18 e 80 anos, que não apresentem contraindicações à Cloroquina.

De acordo com o pesquisador, os participantes serão divididos de forma aleatória em dois grupos de tratamento, um receberá Difosfato de Cloroquina e o outro placebo. Ambos os medicamentos são de fabricação do Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/Fiocruz), no Rio de Janeiro. O projeto se encontra em fase de coleta de informações. “Vamos testar diferentes doses da cloroquina [em pacientes internados]. Estamos fazendo essa análise todos os dias”, afirma Marcus Lacerda.

Com análise preliminar do estudo prevista para a segunda semana de abril deste ano, o pesquisador explica que ainda é cedo para se tirar uma conclusão sobre a real eficácia da medicação. “Especialmente a população mais leiga não entende que não dá para se tirar uma conclusão a partir de um único caso. Estamos avaliando todos os dias o que é possível fazer de recomendação. Estamos só no início da pandemia aqui em Manaus. Além disso, é importante dizer que existem outras pesquisas acontecendo em paralelo no País e no mundo. Cada estudo é diferente um do outro e cada um vai dar uma resposta que, no conjunto, vai fazer a gente escolher a melhor opção”, pontua.

O infectologista lembra ainda que o estudo realiza uma avaliação criteriosa dos eventos adversos e também verifica diferentes doses da medicação em questão. “São 40 pessoas entre pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz – Instituto Leônidas e Maria Deane, Fundação de Medicina Tropical Doutor Heitor Vieira Dourado, pronto-socorro Delphina, Universidade do Estado do Amazonas (UEA) que estão envolvidos. O estudo com cloroquina propõe o tratamento de pessoas graves, apenas, não tem nada a ver vacina”, completa Lacerda.

Sobre supostas vacinas a serem desenvolvidas, o diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, ressaltou que uma vacina para coronavírus ainda deve demorar “pelo menos 18 meses”, apesar dos testes em andamento.

O estudo no Amazonas tem como investigadora co-principal a médica infectologista Mayla Gabriela Silva Borba.

Pandemia

A confirmação do primeiro caso do novo coronavírus (Sars-CoV-2) no Brasil completou um mês na última quinta-feira (26). De lá para cá, conforme recente atualização do Ministério da Saúde sobre coronavírus, o número de mortes era de 92, na sexta-feira (27). O resultado significava um aumento de 18% em relação ao dia anterior, quando o número de mortes era de 77. Em comparação com o início da semana, quando eram 25 óbitos, o número multiplicou por 3,68 vezes. A taxa de letalidade chegou ao máximo da semana, ficando em 2,7%. Já o total de casos confirmados saiu de 2.915 para 3.417 na sexta passada.

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