Corpos de indigentes são esquecidos no IML, em Manaus

Em 2017, 80 corpos sem identificação foram sepultados pelo IML. Maioria dos casos são de vítimas de mortes violentas, como homicídios por arma de fogo ou arma branca

Manaus – O Instituto Médico Legal (IML) sepultou 80 corpos sem identificação, em 2017. Os dados são da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) que informou ainda que 93 pessoas foram sepultadas como indigentes em 2016 e outras seis pessoas, neste ano. Segundo o diretor do IML, Lin Hung Cha, a maioria dos casos são de corpos que chegam de hospitais já sem identificação ou vítimas de mortes violentas, como homicídios por arma de fogo ou arma branca.

Em 2017, 80 corpos sem identificação foram sepultados pelo IML. (Foto: Eraldo Lopes)

O tempo de espera para sepultar os corpos como indigentes é de 30 dias. “Os corpos chegam em vários estágios de conservação, aí é preciso passar por processos de identificação. Existem casos que não tem como reconhecer, aí é preciso fazer odontograma, verificar a impressão digital, fazer DNA e por isso, às vezes demora”, disse.

Lin Hung Cha comenta que a sociedade deve ficar atenta para essa situação, pois a não-identificação dos corpos pode deixar as gavetas do IML super-lotadas. “A população, quando sentir a ausência de algum familiar, deve procurar a delegacia para fazer um registro e depois ir até o IML verificar. Em muitos casos, são pessoas que têm parentes ou pessoas que moram em sítios e ficam muito tempo sem contato com a família, essas pessoas precisam manter um contato mais próximo”, explicou.

O diretor do IML ressalta que a maioria das pessoas enterradas como indigentes são provenientes de hospitais ou vítimas de mortes violentas. “Essas pessoas são sepultadas, geralmente, no Cemitério Parque Tarumã”, relatou. De acordo com Lin Hung Cha, atualmente oito pessoas aguardam por identificação no IML. Dos oito corpos sem identificação, um foi por arma de fogo, outro por agressão física, traumatismo e afogamento.

Corpos não-identificados

Nesta semana, a Polícia registrou também ocorrências de corpos não-identificados encontrados sendo de vítimas de violência ou decapitados dentro de sacos. Nesta quarta-feira (14), um homem com cerca de 30 anos foi encontrado decapitado e o corpo dentro de um saco de fibra, na Travessa Tucano, Avenida Uirapuru, no bairro Cidade de Deus, zona norte de Manaus. Segundo informações de investigadores da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), a suspeita é de que ele foi jogado no local na noite de terça-feira (13).

Uma mulher, ainda não identificada, também foi encontrada morta dentro do igarapé do Mindu, em frente ao Parque dos Bilhares, na Avenida Constantino Nery, bairro São Geraldo, na manhã de quarta-feira (14). De acordo com a análise da equipe da perícia do Instituto de Criminalística (IC), no corpo não foram encontrados sinais de violência. Ela estava vestida apenas com uma bermuda cinza, sutiã vermelho e camiseta preta.

Já na última terça-feira (13), o corpo de um jovem de aproximadamente 16 anos, foi encontrado embaixo da ponte Engenheiro Lopes Braga, conhecida como Ponte do São Jorge, localizada no bairro São Jorge, zona oeste de Manaus. Peritos do Departamento de Polícia Técnico-Científica (DPTC) informaram que a vítima foi degolada e apresentava três perfurações de arma branca na barriga e uma no pescoço.

Também na terça-feira, um homem foi executado a tiros na madrugada e o corpo da vítima foi jogado em uma área de mata na Rua Palmeira do Meriti, bairro Gilberto Mestrinho, zona leste de Manaus. O homem foi morto com vários tiros na cabeça, segundo informações da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS). Segundo informações do Instituto Médico Legal (IML), o homem era pardo, tinha entre 30 e 35 anos e media 1,70 metro. Ele trajava camisa amarela e sunga preta, quando foi assassinado.

Outro caso aconteceu no domingo (11). Policiais militares da 26º Companhia Interativa Comunitária (Cicom) encontraram, um corpo em estado de decomposição na AM-010, no Ramal Água Branca, em área de mata de difícil acesso. A causa da morte também não foi constatada, mas, segundo a PM, a suspeita é de que o corpo esteva no local entre 5 a 7 dias, devido às condições em que se encontrava.

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