Cortes em financiamento ameaçam mais de 500 bolsistas da Ufam

Bolsistas dos programas de mestrado, doutorado e pós-doutorado da Universidade Federal do Amazonas podem ter as bolsas de incentivo à pesquisa suspensas a partir de agosto de 2019

Manaus – Mais de 500 estudantes que estão nos programas de mestrado, doutorado e pós-doutorado da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) podem ter as bolsas de incentivo à pesquisa suspensos a partir de agosto de 2019, em decorrência dos cortes no governo do presidente Michel Temer. Em uma nota do Conselho Superior da Capes ao ministro da Educação, Rossieli Silva, divulgada na última quinta-feira (2), o órgão afirma que, no Brasil, 93 mil estudantes e pesquisadores bolsistas serão afetados.

Ufam informou sua posição contrária à política de contingenciamento. (Foto: Sandro Pereira)

No Amazonas, a Ufam informou que atualmente a instituição tem 176 bolsas para doutorado, 352 mestrados, 16 de pós-doutorado e seis professores da universidade cursando doutorado fora do Estado, que serão prejudicados com o corte. Ao todo, são 534 estudantes.

Além disso, segundo a Ufam, o Capes também financia bolsas de iniciação científica à docência e do Programa Nacional de Formação de Professores da Educação Básica (Parfor), conforme levantou a pró-reitoria de pesquisa e pós-graduação da Ufam.

Segundo o ofício, em 2019, os diferentes programas de fomento às pesquisas de mestrado, doutorado e pós-doutorado no País contarão com 93 mil estudantes e pesquisadores bolsistas. O corte ainda afeta, no País, 105 mil bolsistas, somados os beneficiados pelo Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (Pibid) e Parfor.

Em resposta ao ofício, o Ministério da Educação (MEC) informou, em nota oficial, que o Ministério do Planejamento busca alternativas que permitam a redução de despesas obrigatórias que possam ampliar recursos para atividades prioritárias do governo. Segundo o comunicado, o adiamento do reajuste dos servidores em 2019 é uma das alternativas em discussão.

Ufam pede mudança

A Ufam informou sua posição contrária à política de contingenciamento de recursos aprovada em Lei pelo Congresso Nacional. Na avaliação da Ufam, a redução prevista de cerca de R$ 580 milhões em recursos destinados a programas e bolsas de pesquisa deve ser revogada da Lei do Teto de Gastos.

“As instituições públicas estão sendo obrigadas a conviver com cortes em seus orçamentos, o que resulta não só na ausência de novos investimentos, mas também na extinção de atividades já desenvolvidas, importantes para a melhoria da formação da população e da pesquisa(…).Como uma das universidades que recebem o suporte das Capes, a Ufam lamenta o retrocesso estabelecido e conclama as demais instituições e a sociedade brasileira a se posicionarem contra as atuais medidas adotadas”, disse a universidade em nota.

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