Crescem registros de maus-tratos a crianças em Manaus

Pela Semasc foram mais de 500 denúncias em Manaus, enquanto a SSP-AM apontou 288 ocorrências em 2019

Manaus – Em Manaus, mais de 500 denúncias de casos de maus-tratos contra crianças e adolescentes foram registradas, em 2019, nos canais de denúncias da rede de proteção, segundo a Secretaria Municipal da Mulher, Assistência Social e Cidadania (Semasc).

Zona leste de Manaus é uma das mais vulneráveis da cidade (Foto: Divulgação)

Dados divulgados pela Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) apontam que, de janeiro a novembro de 2019, foram registrados 288 maus-tratos contra crianças e 140 contra adolescentes, em Manaus. No mesmo período de 2018, foram registrados 287 casos contra crianças e 183 contra adolescentes.

O Disque 100, canal do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, recebeu 1.083 denúncias de violações de direitos de crianças e adolescente, de janeiro a junho de 2019, oriundas do Amazonas. Em todo o Brasil, foram 42.585 denúncias, no mesmo período.

Segundo o conselheiro tutelar Hildo Almeida, do Conselho Tutelar da Zona Leste 1, semanalmente, o órgão costuma atender em torno de oito a dez casos de maus-tratos, chegando a uma média de 40 casos por mês. Na maioria das vezes, os casos estão relacionados a outros crimes, como abandono ou abusos sexuais.

“Nós estamos na zona leste, que é a zona mais vulnerável da cidade. Então, nós recebemos todos os dias inúmeras denúncias de abandono de incapaz e maus-tratos. Geralmente, quando chega os finais de semana, os pais deixam as crianças sozinhas trancadas em casa, para ir a festas. A criança fica trancada, sofrendo todo tipo de ameaça e violação de direito, o que é crime”, disse.

Entre os casos já registrados no Conselho, Almeida lembrou um fato que aconteceu em outubro de 2019, quando um menino de um ano e três meses chegou a perder a visão, por conta de uma queda. O fato aconteceu no bairro Coroado, zona leste de Manaus.

Almeida contou que a denúncia chegou até o Conselho Tutelar através do Hospital e Pronto-Socorro da Criança da Zona Leste/Joãozinho, relatando uma suspeita de maus-tratos, com quadro de traumatismo craniano.

“Nós estivemos no pronto socorro infantil para levantar as informações sobre esse caso. Segundo a mãe, a criança tinha caído de uma rede, e que ela não estava em casa. A criança estaria aos cuidados da babá. Quando nós conversamos com a babá, ela informou que o bebê nunca tinha caído sob os cuidados dela, e que a mãe vivia em constantes conflitos com o padrasto da criança, que ele tinha problemas com drogas”, contou.

Posteriormente, o caso foi levado para a Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca), para que o caso fosse investigado e apurado, para saber o que realmente tinha acontecido com a criança, de acordo com o conselheiro.

“Quando a mãe soube que nós fizemos queixa-crime na delegacia, ela evadiu-se do hospital e não se sabe o paradeiro dela, confirmando que essa criança sofreu violência dentro de casa”, acrescentou. A mulher não era natural do Ceará e morava na capital amazonense há cerca de quatro meses antes de o fato ser registrado.

Conforme Almeida, o pai da criança morava na Paraíba. Ele foi localizado e veio de imediato para Manaus. O conselheiro afirmou que conseguiram, junto ao Juizado da Criança e da Juventude, passar a guarda do menino para o pai.

A Semasc possui dois canais de denúncia, o Disque Direitos Humanos (0800 092 1407) e o Disque Denúncia (0800 092 1407).

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