Delegado Sotero permanece na folha de pagamento da PC-AM; salário supera R$ 21 mil

O delegado Gustavo Sotero foi condenado a 30 anos de prisão em regime fechado, acusado da morte do advogado Justo Filho, mas foi solto nesta semana

Manaus – Mesmo condenado a perder o cargo público, após ser declarado autor da morte do advogado Wilson Justo Filho, o delegado Gustavo de Castro Sotero permanece na folha de pagamento de servidores da Polícia Civil do Amazonas (PC-AM), conforme consta no portal da transparência do governo do Estado. Em julho deste ano, o nome do delegado ainda apareceu na lista recebendo remuneração superior a R$ 21 mil.

Sotero foi condenado a 30 anos de prisão em regime fechado, acusado da morte de Justo Filho, mas foi solto nesta semana por determinação do Tribunal de Justiça do Estado do Amazonas (TJAM). A informação foi confirmada nesta quinta-feira (2) pela PC-AM. Sotero estava preso na sede da Delegacia Geral, no bairro Dom Pedro, zona centro-oeste de Manaus.

O delegado Gustavo Sotero foi solto nesta semana por determinação do TJAM (Foto: Divulgação / TJAM)

Folha de pagamento

O GRUPO DIÁRIO DE COMUNICAÇÃO (GDC) entrou em contato com a Secretaria de Estado de Comunicação (Secom) para saber o por que do nome de Gustavo Sotero ainda aparecer na folha de pagamento da Polícia Civil. Em resposta, a Secom disse que “A Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) informa que existe uma decisão judicial que determina a permanência do delegado Gustavo Sotero na folha de pagamento dos servidores da instituição, até que o processo, no qual responde por homicídio, transite em julgado.”

O crime a que a nota se refere aconteceu no dia 25 de novembro de 2017, quando, durante uma discussão, em uma casa noturna na zona oeste de Manaus, Sotero sacou uma arma e atirou contra o advogado Justo Filho, que não resistiu aos ferimentos. Outras três pessoas ficaram feridas, sendo uma delas a mulher da vítima.

Nota do TJAM

Em nota, a 1ª Vara de Execução Penal informou que o delegado Gustavo Sotero “deverá ficar em prisão domiciliar, até que sejam decididas as condições em que cumprirá o regime semiaberto”.

Veja a íntegra da nota:

“No último dia 31/08, o Juízo da 1.ª Vara de Execução Penal concedeu a progressão do apenado para o regime semiaberto, atividade automática e que considera os cálculos previstos na Lei de Execução Penal, de acordo com o sistema de cálculos de pena do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o SEEU – Sistema Eletrônico de Execução Unificado. No caso do apenado Gustavo de Castro Sotero, este deverá ficar em prisão domiciliar, até que sejam decididas as condições em que cumprirá o regime semiaberto. A 1.ª VEP ressalta que a progressão de regime para o semiaberto não representa “soltura” do preso. O semiaberto é um regime da pena privativa de liberdade, acompanhada pela 2.ª Vara de Execução Penal. Os apenados do semiaberto do Estado do Amazonas ficam sob monitoramento eletrônico”.

Nota da Defesa

“A defesa técnica do Delegado de Polícia Civil, Gustavo Sotero, entende que a decisão do Tribunal de Justiça do Estado do Amazonas em deferir o pedido da defesa para progressão de pena foi assertiva. A decisão reconhece o bom comportamento e a boa conduta de Gustavo Sotero. A defesa reforça que Gustavo Sotero sempre de foi um homem correto, cumpridor da lei e com a reputação de um delegado que serviu e protegeu a sociedade amazonense de forma exemplar.”

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