‘Desafios do cotidiano de mães de pessoas com deficiência’ é tema encontro virtual do MPF-AM

Atividade da Comissão de Gênero e Raça do órgão também encerra 16 dias de ativismo pelo fim da violência contra mulheres

Manaus – Na tarde desta quinta-feira (10), a Comissão de Gênero e Raça do Ministério Público Federal do Amazonas (MPF-AM), promoveu o evento: Desafios do cotidiano de mães de pessoas com deficiência para celebrar o dia Internacional da Pessoa com deficiência e o dia Internacional dos Direitos Humanos. A atividade também encerra 16 dias de ativismo pelo fim da violência contra mulheres.

De maneira virtual, o objetivo do debate é discutir os impactos que as mães de pessoas com deficiência sentem, considerando que elas dedicam maior parte do seu tempo à família e por isso, acabam afetadas nas áreas psicológica, física e social.

O evento foi mediado pela Procuradora Regional dos Direitos do Cidadão, Michèle Diz e contou com a participação da Procurada Regional da República e Coordenadora do GT Memória e Verdade da PFDC, Eugênia Augusta, a Co-fundadora do Movimento Down do Comitê para Promoção dos Direitos das Pessoas com Deficiência do Itamaraty, Christiane Aquino e a pós-graduanda em Práticas Inclusivas e Gestão das diferenças, Luciane de Lima.

(Foto: Divulgação)

Entre os temas abordados, as mães comentaram sobre a dificuldade que tiveram ao conseguir inserir os filhos em escolas. Luciane é mãe de uma criança de oito anos, que tem deficiências múltiplas e é transplantado renal, ela conta que quando seu filho nasceu, foi diferente de tudo o que haviam lhe falado.
“Isso é desafio emocional muito grande para as mães. A gente precisa aprender a cobrar, eu sei que a maioria se sente acuado, oprimido, com medo do filho ser maltratado, mas não pode ser assim, nós somos responsáveis por esses meninos e meninas, e eles tem o direito de aprender no meio de todo mundo sim”, ressaltou Luciane.

Mesma experiência compartilhada por Christiane, que é mãe de um adolescente de dez anos, com síndrome de down, apraxia e epilepsia, ela buscou por meio jurídicos o direito do filho de aprender juntamente com os outros alunos da turma. “Acho importante que as famílias saibam, que existem meios jurídicos para pressionar as escolas a reverem suas políticas, independentemente de você estar com seu filho matriculado ou não”, afirmou.
Após ouvir as mães, com seus relatos e dificuldades, Eugênica Augusta relembrou a época em que o filho nasceu, e destacou que viu um ponto em comum com as demais mães, o que falta é atuação do poder público.

“Caminhamos, a coisa sempre foi muito difícil. Depois de todas essas recomendações e ações pontuais. Depois disso, tivemos muita sorte, a partir dos anos 2002, as pessoas que assumiram o ministério da educação foram pessoas sensíveis para esse tema. Houve um progresso na política que tornou a inclusão irreversível, adotou inteiramente de que o direito dessa criança com deficiência é o mesmo direito de outra criança”, explicou a procuradora.

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