Durante manifestação, enfermeira diz que exames em funcionários do João Lúcio estão proibidos

Ainda conforme a profissional de Saúde, 50% dos funcionários que trabalhavam na unidade hospitalar e que morreram, não tiveram os cuidados necessários

Manaus – Durante manifestação de profissionais da área da Saúde, na manhã deste sábado (23), na Avenida Autaz Mirim, Bola do Produtor, zona leste da capital, foram reivindicados Equipamentos de Proteção Invidividual (EPIs), melhorias na alimentação, além da liberação de exames rápidos da Covid-19 para aqueles que estão atuando na linha de frente da pandemia.

De acordo com a enfermeira Maria José, que trabalha no Hospital e Pronto-Socorro João Lúcio, na Avenida Cosme Ferreira, bairro Coroado, zona leste da capital, os funcionários da unidade hospitalar estão sendo impedidos de fazer a testagem rápida.

O Hospital e Pronto-Socorro João Lúcio (Foto: Anamaria Leventi/Divulgação)

“Fomos proibidos pelo diretor do hospital de realizar os testes rápidos do novo coronavírus. Os que fizeram com muita dificuldade, conseguiram pelo aplicativo da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS-AM). Os que testaram positivo, não conseguem tratamento adequado. A unidade hospitalar apenas disponibiza teste para pacientes que estão internados”, contou ela.

Ainda conforme a enfermeira, 50% dos funcionários que atuavam no João Lúcio e morreram, foi em decorrência do vírus. “Somos pessoas que ficam de frente para a doença. Somos os primeiros a buscar o paciente na casa dele, ainda com os primeiros sintomas e não temos Equipamentos de Proteção Individual (EPIs). Na nossa unidade, recemos de três a quatro máscaras descartáveis para passarmos 12 horas de plantão, sendo que cada uma dura apenas duas horas. Deveríamos ter materiais de qualidade. Só ouvimos falar de verbas que são liberadas para o governo do Amazonas e não vemos a destruição desse dinheiro na área da saúde”, enfatizou.

“Vemos muitos aplausos na janela por parte do governo. Eles dizem que somos heróis, mas não somos. Os heróis são imortais e nós somos seres humanos de carne e osso, totalmente vulneráveis. Precisamos que o governador Wilson Lima não se preocupe somente com o nome dele, mas com as nossas vidas, pois nós também morremos”, finalizou.

Nota oficial

Em nota, a Secretaria de Saúde do Amazonas (Susam) faz os seguintes esclarecimentos:

É inverídica a informação que 50% dos funcionários do Hospital e Pronto-Socorro João Lúcio faleceram por novo coronavírus. A unidade possui quase 2 mil funcionários, dos quais dois técnicos de enfermagem, que já estavam afastados por serem do grupo de risco, infelizmente contraíram a doença e foram a óbito pela Covid-19.

Sobre os exames para Covid-19, a Susam que os profissionais de saúde da rede estadual não são impedidos de fazer o teste rápido. Pelo contrário, o governo do Amazonas criou um serviço exclusivo para aplicação de testes rápidos nos profissionais de saúde e um melhor acompanhamento dos casos de afastamento. Os funcionários que apresentarem sintomas sugestivos de Covid-19 poderão agendar e realizar o teste rápido a partir do 8° dia dos sinais.

A direção do Hospital e Pronto-Socorro João Lúcio informou ainda que não procede a informação de falta de Equipamentos de Proteção Individual (EPI). Os profissionais recebem todos os EPIs preconizados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e pela FVS, segundo a nota.

A unidade realiza a entrega de kits, conforme protocolo de recebimento assinados pelos profissionais, realizando a troca do EPIs a conforme preconiza as normas sanitárias, levando em consideração o nível de sujidade do equipamento.