Em Manaus, 36 casos de violência contra pessoas idosas são registrados por dia

Conforme a SSP-AM, foram 13.239 ocorrências registradas em 2017. Entre as ocorrências com maior quantidade de registros de Boletins de Ocorrência (BOs) o furto é o crime mais registrado: 2.960

Manaus – A violência contra idosos aumentou 30% nos últimos dois anos. O aumento se refere aos casos com vítimas com mais de 60 anos de idade e registrados, em 2016 e 2017, nas delegacias de polícia de Manaus. Apenas no ano passado, foram registrados, em média, 36 casos de violência contra idosos por dia. Os dados foram informados pela Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM).

Conforme a SSP-AM, foram 13.239 ocorrências registradas no ano passado. Em 2016, eram 10.134 registros policiais. Entre as ocorrências com maior quantidade de registros de Boletins de Ocorrência (BOs), o furto é o crime mais registrado: 2.960 (2017) e 2.139 (2016).
A soma nos últimos dois anos, 2016 e 2017, inclui furtos (5.099), roubo (3.100), ameaça (2.176), perda/extravio (2.322), injúria (1.757), homicídio doloso (28), perturbação da tranquilidade (1.127), estelionato (659), lesão corporal (554), além de 1.312 registros diferentes que foram classificados como “outras ocorrências”.

Nos últimos 30 dias, duas idosas morreram, após serem vítimas de violência em Manaus. Na noite do dia 22 de dezembro de 2017, a comerciante Lely Braga de Almeida, 84, foi encontrada morta, após ter sido estrangulada e agredida com pancadas na cabeça, dentro da casa onde morava, na Avenida Sucupira, Comunidade América do Sul, bairro Colônia Terra Nova, na zona norte da capital. Lely foi encontrada com as mãos amarradas para trás e hematomas na cabeça.
Na noite do dia seguinte, 23 de dezembro do ano passado, Yolanda Tomé Seabra, 84, morreu, depois de ser espancada, em um assalto, e passar um dia internada no Hospital e Pronto-Socorro Dr. João Lúcio, na zona leste.

Tiago Pereira Guimarães, 26, foi preso, no começo do mês, suspeito de roubar e matar Yolanda Tomé Seabra, 84. (Foto: Sandro Pereira)

O assalto aconteceu, na tarde do dia 22, na casa dela, na Travessa Caxangá, no bairro Centro, zona sul. De acordo com a investigação da equipe da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), um homem entrou na casa de Yolanda para roubar uma televisão e ela questionou o motivo de estar sendo assaltada. Em seguida, foi agredida.

No dia 9 de janeiro deste ano, a Polícia Civil (PC) apresentou, à imprensa, Tiago Pereira Guimarães, 26, preso suspeito de roubar e matar Yolanda. Durante a briga, conforme a PC, Tiago atingiu a idosa com um soco na cabeça, fazendo com que ela caísse no chão e ficasse gravemente ferida. Segundo a filha da idosa, Socorro Sarkis, ela fingiu estar morta e, mesmo assim, Tiago continuou a agredindo com vários chutes.

Ainda na semana de festividades do Natal de 2017, na manhã do dia 25 de dezembro, Pedro Costa Vilaça, 68, foi agredido com um terçado, quando estava lavando a calçada da casa onde mora na Rua Carabinani, bairro São José 3, na zona leste.

Aproveitadores

Somente nos primeiros 15 dias de janeiro deste ano, foram registrados 100 ocorrências de diferentes crimes na Delegacia Especializada em Crimes Contra o Idoso (Decci), localizada no bairro Parque 10 de Novembro, zona centro-sul da capital, segundo informou o titular da especializada, delegado Jander Mafra.

Um dos principais crimes registrados na delegacia é o de maus-tratos, quando o filho ou responsável deixa o idoso ao relento, desamparado, sem alimentação correta, expondo que não se importa com a saúde do maior de 60 anos.

Mafra informou que o segundo crime mais registrado na Decci é a apropriação de bens do idoso, quando o filho ou responsável toma para si o cartão de benefícios do idoso e gasta com coisas que são alheias ao beneficiário.

De acordo com o delegado, há ainda registros expressivos de humilhação ao idoso que está previsto no Artigo 96 do Estatuto do Idoso. Outro crime é perturbação da tranquilidade do idoso, uma contravenção penal. “É quando o idoso mora com os filhos que arranjam mulheres e elas ficam brigando dentro de casa. Ou quando um vizinho coloca músicas em volume alto”, detalhou o delegado.

O titular da Decci acrescentou que o idoso é uma “nova criança” e faz parte das vítimas que se destacam, infelizmente, pela vulnerabilidade. “O ladrão age de forma muito covarde. Muitas pessoas enganam os idosos e, muitas vezes, os autores fazem parte da família”, afirmou o delegado, acrescentando que, em algumas ocorrências, as denúncias são feitas por filhos do idoso que denunciam um ou mais irmãos pelo crime contra o próprio pai ou mãe idoso.