Em Manaus, cheia do Rio Negro deve ultrapassar em dois metros a marca do ano passado

Previsão do CPRM é de que o nível do rio na capital, durante a cheia deste ano, chegue a 29,21 metros. Nível não supera marca histórica de 2012, quando chegou a 29,97

Diogo Rocha / [email protected]

Nesta quarta-feira, o nível do Rio Negro em Manaus está a quatro centímetros da cota de emergência (Foto: Reinaldo Okita)

Manaus – Com a cota do Rio Negro medindo 28,96 metros, nesta quarta-feira (31), e a quatro centímetros da cota de emergência (29 metros), a previsão do Serviço Geológico do Brasil (CPRM) é que o nível do rio em Manaus, durante a cheia, fique em média em 29,21 metros, ultrapassando em 2,02 metros a enchente do ano passado. Na manhã desta quarta-feira, o CPRM divulgou os dados do 3º Alerta de Cheias do Rio Negro para a capital do Amazonas, informando que a marca de cheia, em Manaus, ainda pode variar de 28,96 a 29,46 metros. 

Mesmo que a previsão de cota máxima (29,46 metros) para o ano de 2017 seja atingida com o processo de enchente da bacia do Rio Negro, ainda não superaria a marca histórica de cheia em Manaus, de 29,97 metros, registrada no dia 29 de maio de 2012. A enchente deste ano, provavelmente, será a segunda maior da história, como previu o CPRM, quando divulgou o primeiro alerta de cheia, no dia 31 de março.

O superintendente do CPRM, Marco Antônio Oliveira, alertou que neste ano a duração da cheia na capital deve ser de mais de 20 dias, até meados do mês de junho. As inundações em grandes áreas de Manaus começarão quando o nível do rio atingir os 29 metros.

A Defesa Civil Municipal calcula que cerca de 12 bairros da capital, como Educandos, Matinha, Raiz e Colônia Antônio Aleixo, serão os mais afetados pela cheia do Rio Negro.

“O processo de cheia em Manaus continua evoluindo. O Rio Negro se encontra represado pelo Rio Solimões e, embora, haja uma estabilização na cheia do Solimões, vai depender muito para Manaus as águas que vão descer pelo Rio Negro. O rio já ultrapassou a cota de alerta para a cidade de Manaus e esse tempo de permanência das águas altas deve continuar por 20 a 25 dias, com as águas dentro das casas”, explicou Oliveira.

O superintendente do CPRM também informou que as águas do Rio Negro devem parar de subir nos próximos dias, mas sem uma previsão exata. “Se chover dentro da média, vai ser também uma cheia que evoluirá de forma mais lenta”, disse Marco Antônio.

 

Influência de chuvas

Durante a divulgação do 3º Alerta de Cheias do Rio Negro, na sede do CPRM, no bairro Aleixo, zona centro-sul de Manaus, o chefe de Divisão de Meteorologia do Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam), Ricardo Dallarosa, informou que as chuvas não serão ‘significativas nas duas próximas semanas’ na cidade.

“A expectativa não é de chuvas com volumes muito elevados, porque estamos começando a estação seca. Claro que no início da estação seca ainda temos eventos como (o temporal) de ontem (terça-feira, 30), que choveu na cidade em torno de 50 milímetros em um período relativamente curto. Isso faz parte do período de transição, alguns dias de sol forte, temperaturas elevadas, e uma tempestade e outra intercalando”, explicou Dallarosa.

O nível da cheia do Rio Negro, conforme Dallarosa, sofrerá influência direta do período chuvoso do mês de maio. “O aporte (hídrico) maior deve vir a partir da bacia do Rio Negro. E as águas (das chuvas de maio) vindas para o Rio Negro afetam as comunidades mais abaixo, como Parintins (a 369 quilômetros a leste de Manaus), que entrou em situação de emergência”, disse o chefe de Divisão de Meteorologia do Sipam.

 

Marca histórica não deve ser superada

A pesquisadora do CPRM, Luna Gripp, explicou que as condições das cheias dos rios desde o início do ano indicam que, dificilmente, a cheia do Rio Negro, em Manaus, passará a marca histórica de 2012. “Desde o começo de fevereiro e março estamos nos distanciando do que aconteceu em 2012, indicando que não teremos uma cheia da magnitude de 2012. Em termos de magnitude de cheia e duração deve durar mais na cota de 29 metros”, afirmou Luna. 

A Defesa Civil do Amazonas informou que, atualmente, 32 municípios do Estado estão em situação de emergência (enchente) devido às cheias dos rios e 57.826 mil famílias foram afetadas. Em Manaus, a Defesa Civil Municipal tem trabalhado em áreas de cota de inundação e já construiu mais de dois mil metros de pontes nos bairros afetados.

“Temos que esperar a situação da cota de emergência e verificar até onde o nível do rio chegará. Se for em torno de 29,21 metros, todo o nosso planejamento para a cota de 29,50 metros será menor. Porém, em cima disso a Defesa Civil está atenta nas residências das áreas alagadas pelo risco de desabamento”, disse o secretário executivo da Defesa Civil Municipal, Cláudio Belém.

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