Estacionamentos são os locais preferidos de quadrilhas de ‘clonagem’ de veículos

Nos últimos três anos, 15 quadrilhas que colocam placas frias na capital foram presas, segundo o delegado da Especializada em Roubos e Furtos de Veículos (DERFV), Rafael Allemand

Manaus – Quadrilhas de clonagem de veículos estão escolhendo carros e motos a serem ‘clonados’ em locais públicos, como estacionamentos de shoppings e supermercados. De acordo com o delegado da Especializada em Roubos e Furtos de Veículos (DERFV), Rafael Allemand, nos últimos três anos 15 quadrilhas que colocam placas frias na capital foram presas. As organizações criminosas usam placa, chassi e documentos copiados de carro ‘original’.

O crime que envolve roubo, adulteração de veículo e venda de documentos falsos muitas vezes conta com a participação de funcionários públicos, segundo Allemand.

Segundo o delegado, nesses locais, os criminosos coletam informações sobre o chassi e vidro do veículo, de cor e modelo igual aos roubados ( Foto: Reinaldo Okita/Arquivo)

As quadrilhas escolhem os veículos a serem ‘clonados’ principalmente em estacionamentos. Segundo o delegado, nesses locais os criminosos coletam informações sobre o chassi e vidro do veículo, de cor e modelo igual aos roubados.

Após o assalto, o carro ganha nova identidade com as falsificações para poder circular normalmente. Um desses veículos ‘clonados’ já lesou o aposentado Edmilson de Araújo Silva, 68, que só identificou o problema após ser multado.

Segundo ele, a primeira multa ocorreu em junho deste ano, em um local que não faz parte do itinerário do idoso. Por trafegar na faixa azul, um veículo – de mesma placa, cor e modelo – deixou um prejuízo de R$ 191,54 e mais sete pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH) do aposentado. Edmilson teme perder a CNH, devido a ação dos criminosos.

Duas das três infrações foram cometidas na Avenida Torquato Tapajós, na zona norte de Manaus, enquanto o aposentado reside no conjunto Petros, no Coroado, na zona leste de Manaus.

“Quando a pessoa é a única a andar no veículo isso (multas) é o primeiro indício. Quando essa pessoa pega multas em locais onde não passa, em horários também não costumeiros, já deve procurar a delegacia”, afirmou o delegado.

De acordo com o delegado, em uma picape de luxo os criminosos chegam a ganhar R$ 20 mil com a ‘clonagem’. Geralmente a ‘cópia’ é feita por encomenda, segundo a polícia. Mas os veículos também são anunciados em sites de vendas, como a OLX.

Para não comprar um carro ‘falso’, é preciso desconfiar de preços muito baixos, segundo Allemand. “Tem muitos que compram com boa-fé. Não desconfiam, mas um valor muito abaixo do mercado tem que desconfiar. Uma moto que custa R$ 20 mil, vendida por R$ 3 mil, 5 mil, com facilidades de pagar a entrada e pagar o restante sem qualquer documentação geralmente não é um bom sinal”, disse o delegado.

Allemand orienta que o comprador deve entrar em contato com o proprietário cujo nome consta no Departamento Estadual de Trânsito (Detran-AM) para verificar se esse dono, por acaso, não está de posse de outro veículo com as mesmas placas.

“A pessoa tem que exigir o DUT (Documento Único de Transferência) e o CRLV  (Certificado de Registro e Licenciamento de Veículos) do veículo também. E levar o veículo para uma inspeção no Detran, onde eles podem verificar se o chassi não foi adulterado”, afirmou o delegado.

Quase perfeito

A falsificação, em alguns casos é quase perfeita, segundo o delegado. A adulteração da placa e do chassi acontece em galpões, oficinas clandestinas dentro da cidade e os veículos, em sua maioria, são levados para outros Estados.

“São especialistas em ‘clonagem’. Alguns casos ficam difíceis até mesmo para a perícia do Detran identificar porque a falsificação do chassi, a numeração do motor é muito bem feita”, afirmou o delegado.

A quadrilha costuma ser grande, segundo Allemand. São usados atravessadores para conseguir um comprador para o veículo, outro membro da organização para o roubo e para coletar as informações sobre o veículo e remarcar ou adulterar chassi do veículo, outro criminoso.

Na internet, os criminosos que atuam nesse tipo de delito conseguem acesso a todos as informações sobre o carro original do qual farão uma ‘cópia’, inclusive ao Registro Nacional de Veículos Automotores (código do Renavam), segundo informou o delegado.

 

 

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