Estado conclui redução do estômago em apenas 23% dos pacientes encaminhados

Segundo a Susam, de janeiro de 2017 até o primeiro trimestre deste ano, 181 pacientes foram direcionados para o tratamento, mas apenas 42 fizeram a cirurgia bariátrica para redução do estômago

Manaus- De janeiro de 2017 até o primeiro trimestre deste ano, somente 23% dos obesos que foram encaminhados à Fundação Hospital Adriano Jorge (FHAJ) conseguiram concluir o procedimento de redução do estômago. Neste período, 181 pacientes foram direcionados para o tratamento, mas apenas 42 fizeram a cirurgia bariátrica para redução do estômago. Em cinco anos, 150 pessoas passaram pelo procedimento cirúrgico, segundo informações da Secretaria de Estado de Saúde (Susam).

Thainá Fernandes perdeu 68 quilos após fazer a cirurgia bariátrica na rede particular. (Foto: Reprodução)

A pesquisa Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel 2016), divulgada em janeiro deste ano, pelo Ministério da Saúde (MS), apontou que Manaus tem a sétima maior frequência de obesos adultos entre as 26 capitais e o Distrito Federal. Segundo levantamento, 20,3% dos entrevistados estavam obeso.

A Vigitel mostrou que as mulheres são as principais prejudicadas com o aumento do peso. Quando chegou aos 133 quilos, aos 19 anos, com dificuldade para realizar atividades simples como se vestir, tomar banho e fazer pequenas caminhadas, a estudante Thainá Fernandes viu na cirurgia a oportunidade de mudança na vida.

A estudante conta que conviveu com a obesidade desde o nascimento. Quando foi concebida, Thainá já tinha cinco quilos e lutou contra a balança por toda a infância e adolescência.

Além da estética, a preocupação de iniciar a vida adulta com hipertensão, pré-diabetes, dores crônicas nas articulações causadas pelo peso excessivo fizeram a estudante decidir pela intervenção cirúrgica, segundo revelou Fernandes.

“Sempre tentei fazer dieta. A cirurgia não é milagre, sua cabeça também precisa mudar. Como de tudo atualmente. Hoje eu vejo a comida de um jeito diferente, antes se eu fosse comer um sanduíche tinha que ser logo dois, três, porque eu achava que não ia ficar satisfeita. Hoje não sei se consigo comer um”, disse.

Após dois anos da bariátrica e com 68 quilos a menos, Thainá diz que não se arrepende e que apesar das críticas teve o apoio da família para realizar a cirurgia.

No caso dela, a cirurgia foi realizada na rede particular. Na rede pública, o procedimento que era feito exclusivamente na FHAJ vai passar a ser feito no Hospital Universitário Getúlio Vargas.

A decisão foi da Comissão Intergestora Bipartite (CIB) do Estado, que reúne representantes da Secretaria de Estado de Saúde (Susam) e das secretarias municipais e foi aprovada no último dia 23.

No local vai funcionar uma unidade de Assistência em Alta Complexidade ao Indivíduo com Obesidade, e o Ministério da Saúde (MS) deve enviar recursos para manter o programa, segundo informou a Susam.

Recuperar o peso perdido é um dos temores pós-cirúrgico

Um dos maiores temores do paciente que se submete à cirurgia bariátrica, segundo a médica Jacqueline Rizzolli, associada da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso), é recuperar o peso perdido.

Os primeiros 18 meses após a cirurgia são considerados como a fase da ‘Lua de mel’, em que a pessoa geralmente está muito motivada, seguindo à risca as orientações da nutricionista, com pouco apetite, recebendo diversos elogios sobre sua aparência e entusiasmada com atividade física, segundo esclareceu a especialista.

“Com o passar do tempo, o apetite vai aumentando, o peso estabiliza, os problemas emocionais podem retornar e os velhos hábitos. Mais de 50% dos pacientes terão algum grau de recuperação de peso e é importante saber o que é considerado normal – e até esperado – e o que não é normal”, afirmou ela no artigo publicado pela Abeso.

Recuperar cerca de 5 a 10% do excesso de peso reduzido após 24 meses da cirurgia, de forma lenta e sem repercussão clínica, pode ser considerado normal e não necessitar nenhum tratamento, explicou Rizzolli.

Para secretário, cirurgia bariátrica é o último recurso

De acordo com a Susam, enquanto o ambulatório Araújo Lima, do HUGV, já era referência em atendimento ambulatorial, as cirurgias estavam concentradas, desde 2013, somente na FHAJ, que é do Estado. Há cinco anos, quando o procedimento começou a ser realizado, 40 cirurgias foram concluídas na Fundação, segundo a Susam, no ano seguinte, caiu para 30, chegando a 21 bariátricas em 2015. A queda continuou em 2016, quando apenas 17 pessoas conseguiram uma cirurgia de redução do estômago.

De acordo com o secretário estadual de Saúde, Francisco Deodato, a cirurgia é o último estágio do atendimento à obesidade. “Estamos partindo do princípio de que o atendimento ao obeso não se resume à cirurgia bariátrica. Envolve prevenção, acompanhamento com equipe multidisciplinar – com médico especialista, nutricionista, psicólogo, entre outros. A cirurgia é o último recurso e, quando recomendada, exige acompanhamento pré e pós-ambulatorial”, observa.

Para o secretário, a mudança vai permitir “organizar esse atendimento na rede pública de saúde”, concentrando o serviço em um local de referência, o que segundo ele, facilitará o acompanhamento integral ao paciente. A Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso) informou que considera entre as possibilidades terapêuticas para o tratamento da obesidade, a cirurgia bariátrica como opção para os adultos com diabetes mellitus tipo 2 e Índice de Massa Corporal (IMC) maior que 35 quilos por metro quadrado.

No site da entidade (www.abeso.org.br/atitude- saudavel/ imc ) é possível verificar, inclusive o IMC do paciente, com segurança, segundo o órgão.

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