Estudo mostra que Manaus corre risco de voltar a ter casos de febre amarela 

Pesquisador alerta que diante do risco de reintrodução da febre amarela em área urbana é preciso que as autoridades de saúde intensifiquem o combate ao mosquito e imunizem a população

Vacina é considerada o meio mais eficaz de se prevenir da febre amarela (Foto: William Dias/Agência Brasil )

Rio de Janeiro e Manaus – Doença silvestre desde a década de 1940, a febre amarela pode voltar a se tornar uma enfermidade de cidade. Pesquisa realizada em Manaus, Goiânia e Rio de Janeiro, pelos Institutos Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) e Evandro Chagas, em parceria com o Instituto Pasteur, em Paris, mostrou que mosquitos urbanos, como Aedes aegypti e Aedes albopictus, têm elevada capacidade para a transmissão do vírus da febre amarela, principalmente em Manaus e no Rio. A pesquisa foi publicada, na última sexta-feira (7), na revista Scientific Reports.

Chefe do Laboratório de Mosquitos Transmissores de Hematozoários do IOC, Ricardo Lourenço explicou que a intenção do trabalho era avaliar o risco de a febre amarela voltar a se tornar uma doença das cidades. Neste ano, foram registrados 797 casos da doença no Brasil, com 275 mortes. Mas todas as pessoas foram picadas por mosquitos silvestres ao entrarem em áreas de matas. De acordo com a Prefeitura de Manaus, desde 2001 não há casos de febre amarela registrados na capital amazonense.

Para avaliar o risco de reurbanização, foram testados mosquitos urbanos (Aedes aegypti e Aedes albopictus) do Rio de Janeiro, de Manaus e de Goiânia. E diferentes linhagens do vírus – a que circulava anteriormente no Brasil, a que está circulando agora e a que foi isolada na África. Isso porque a diversidade das populações de mosquitos e as transformações dos vírus, ao longo das décadas, poderiam ter afetado a capacidade de os insetos transmitirem a doença.

“O vírus vai evoluindo no tempo, produzindo mutações, criando adaptações. Por isso, precisávamos fazer a comparação. E, de fato, a chance de transmissão dos vírus é muito grande pelos insetos do Rio de Janeiro e de Manaus. A transmissão ocorre nos mosquitos de Goiânia em menor grau”, afirmou Lourenço.

 

Foram avaliados mosquitos silvestres das espécies Haemagogus leucocelaenus e Sabethes albiprivus. O trabalho analisou, ainda, insetos Aedes aegypti e Aedes albopictus coletados nas três capitais brasileiras e em Brazzaville, no Congo, onde a febre amarela silvestre é endêmica.

 

Os insetos foram divididos por gênero, e fêmeas foram alimentadas com amostras de sangue contendo vírus da febre amarela de diferentes linhagens. A presença de partículas de vírus na saliva dos insetos após 14 dias foi o indicador do potencial de transmissão da doença. Todos os mosquitos tinham capacidade de transmitir a febre amarela, com exceção do Aedes albopictus de Manaus, que não transmitiu o vírus africano.

 

“A capacidade de o Aedes aegypti do Rio de Janeiro transmitir a febre amarela chega a 60% com a linhagem que circula agora e a 40% com a linhagem do passado ou do oeste africano. É maior do que o mesmo mosquito de Goiânia, onde emergem casos de macacos infectados, e do que o de Manaus, que é área de febre amarela endêmica”, analisou Lourenço.

 

Para o pesquisador, diante da real possibilidade de reintrodução da febre amarela urbana, é preciso que as autoridades de saúde intensifiquem o combate ao mosquito e imunizem a população.  “A transmissão urbana já pode estar acontecendo, e a gente não sabe. Na década de 1930, descobriram que havia a febre amarela silvestre porque houve caso no Espírito Santo e não acharam nenhuma larva ou adulto de Aedes aegypti”, explicou. “Agora, só vamos provar a febre amarela urbana se não houver macaco doente nem mosquito silvestre naquela região”.

 

Fase aguda da doença pode levar o infectado à morte

De acordo com agências de notícias sobre saúde, a febre amarela é uma doença infecciosa causada por um vírus e transmitida por mosquitos (Aedes aegypti e Haemagogus). O mosquito é infectado ao picar uma pessoa ou animais com a doença e então desenvolve a doença e passa a transmiti-la para quem ele picar.

A doença é considerada aguda e hemorrágica e recebe este nome, pois causa amarelidão do corpo (icterícia) e hemorragia em diversos graus. Apesar de ser considerado um vírus perigoso, a maioria das pessoas não apresenta sintoma e evolue para a cura.

A pessoa permanece em estado de viremia, ou seja, capaz de transmitir o vírus para mosquitos, por até 7 dias após ter sido picada.

Os grupos de riscos para a doença são pessoas que nunca entraram em contato com a febre amarela ou nunca se vacinaram contra ela e viajam para locais em que a doença é ativa, mesmo que não haja casos recentes reportados nestas regiões. O risco é maior para as pessoas com mais de 60 anos de idade e qualquer pessoa com imunodeficiência grave devido a HIV/AIDS.

Os sintomas mais comuns da febre amarela são: febre; dores musculares em todo o corpo, principalmente nas costas; dor de cabeça; perda de apetite; náuseas e vômito; olhos, face ou língua avermelhada; fotofobia; fadiga e fraqueza. Os sintomas nesta fase aguda da doença costumam durar entre três e quatro dias e passam sozinhos.

No entanto, uma pequena porcentagem de pessoas pode desenvolver sintomas mais graves cerca de 24 horas após a recuperação dos sintomas mais simples. Nesta fase, chamada de tóxica, o vírus pode atingir diversos órgãos e sistemas, mas principalmente o fígado e rins e causar a morte do paciente.

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