Familiares de trio que sumiu após abordagem de PMs dizem sentir medo

Nesta segunda-feira (26), testemunha de acusação é ouvida pelo juiz Mauro Antony, no Fórum Henoch Reis, em uma audiência de instrução e julgamento

Manaus – Familiares das três pessoas que desapareceram depois de uma abordagem de Policiais Militares (PMs) pedem justiça e segurança por parte do Estado. Oito militares são acusados no caso do sumiço de Alex Júlio Roque, 25, Rita de Cássia Castro da Silva, 19, e Weverton Marinho Gonçalves, 21, que desapareceram na zona leste, em 2016. Nesta segunda-feira (26), três testemunhas de defesa foram ouvidas pelo juiz Mauro Antony, no Fórum Henoch Reis, em uma audiência de instrução e julgamento.

Familiares dos três jovens desaparecidos acompanham a audiência de instrução e julgamento que ocorre no Fórum Henoch Reis, nesta segunda-feira (Foto: Pablo Trindade)

São réus no processo os policiais militares Luiz da Silva Ramos, José Fabiano Laves da Silva, Edson Ribeiro Costa, Ronaldo Cortez da Costa, Eldeson Alves de Moura, Cleydson Enéas Dantas, Denilson de Lima Corrêa e Isaac Loureiro da Silva. Na época do desaparecimento das três pessoas, os militares trabalhavam na 4ª Companhia Interativa Comunitária (Cicom).

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Para Francisco Farias, pai de Rita de Cássia, há provas de que os policiais são os responsáveis pelo desaparecimento das três pessoas. “Essa já é a terceira audiência e nós pedimos justiça, pois já há provas suficientes. Peço que o Estado e o secretário de segurança pública vejam essa situação, pois só o fato de um policial (homem) ter abordado e revistado minha filha já é errado, é assédio”, disse.

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Jovens sumiram após abordagem de PMs, segundo familiares (Foto: Divulgação)

Francisco afirma que ouviu de policiais militares que “nem Deus ia encontrar os corpos” e não que adiantava fazer buscas. Ele contou, ainda, que na última quarta-feira (21), policiais estavam vigiando a casa dele. “Eram quatro policiais. Eles passaram cerca de 20 minutos em frente à minha casa, e estavam armados. Se alguma coisa acontecer comigo ou com a minha família, o Estado vai ter que se responsabilizar”, disse.

Segundo a irmã de Weverton, Lana Marinho, 18, os PMs fizeram a abordagem porque os três estavam em uma motocicleta, que pertencia a Weverton. De acordo com a jovem, familiares sofreram repressão e ameaças de militares. “Sempre que íamos a algum lugar, encontravámos carros de polícia. Eles sempre estavam um passo à frente, como se soubessem de tudo que íamos fazer. Parecia até que tinham informantes”, disse.

Medo de se tornar vítima

Familiares afirmam que precisaram mudar das casas onde moravam, por medo. “Carros diferentes, que nunca foram vistos antes, passavam por lá e ficavam observando. Chegamos a ver, também, viaturas da polícia, que sempre ficavam vigiando a casa”, disse Lindalva de Sousa Castro, mãe de Rita de Cássia.

“Eu vejo um PM e já me escondo. Se eles fizeram aquilo com meu filho, podem fazer comigo também”, afirmou Iraci Marinho, mãe de Weverton. Iraci afirmou que as buscas realizadas foram superficiais. Vídeos mostram o momento da abordagem e agressão por parte dos PMs, segundo a mãe.

De acordo os familiares, testemunhas que presenciaram o fato preferem não se manifestar, por medo de represálias. “Pessoas que sabiam disseram que não viriam depor, pois sabiam que não estavam lidando com qualquer coisa. As pessoas do bairro já conheciam esse policiais e têm medo”, disse Iraci.

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