Famílias recorrem à justiça para conseguirem leitos de UTI e transferência de pacientes no AM

Segundo o advogado Thiago Vany, a procura por liminares na justiça ordenando o Estado a disponibilizar leitos de UTI e transferências para outro estado cresceu neste mês de janeiro

Manaus – Devido ao colapso no sistema de saúde da rede pública do Estado, famílias amazonenses estão tendo que recorrer à justiça para conseguir um leito de Unidade de Tratamento Intensiva (UTI), ou até mesmo, a transferência dos pacientes para a capital ou interior.

Segundo o advogado Thiago Vany, a procura por liminares na justiça ordenando o Estado a disponibilizar leitos de UTI e transferências para outro estado cresceu neste mês de janeiro, o que fez com que o Governo do Amazonas, tivesse uma nova lista da morte, a lista de transferência.

“Foi informado que existe hoje, uma fila de mais de 550 pessoas que aguardam transferências ou leitos de UTI. Dentre elas, existe uma fila só para ordens judiciais, que atinge aproximadamente 40 pessoas, isso é em todo o Estado. Muitas dessas decisões são a Justiça obrigando o Governo do Estado a transferir pacientes do interior para a capital”, explicou.

Advogado Thiago Vany (Foto: Divulgação)

De acordo com Vany, um dos seus clientes está em estado grave no SPA Eliameme Rodrigues Mady, no bairro Monte das Oliveiras, com 70% do pulmão comprometido. Ele teve sua liminar aprovada no último domingo (24), para que seja transferido para um leito de UTI na capital ou em outro estado, mas até agora, ainda aguarda por ajuda.

“O governo está pagando por dia R$10 mil, por não cumprir a decisão. Isso vale por um período de dez dias, o que resulta em um montante de R$100 mil. Uma transferência em UTI Aérea, está custando em torno de R$90 mil, é até mais barato pagar pela transferência, do que ficar postergando com a multa”, enfatizou o advogado.

30 dias de espera

Na manhã desta quarta-feira (27), durante mais uma sessão extraordinária virtual na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), o deputado estadual Dermilson Chagas, também deu um exemplo de um paciente, que aguarda por cerca de 30 dias para ser transferido, mesmo com decisão judicial.

“Até hoje tem decisões judiciais que um paciente que está no João Lúcio e até agora ele não transferiu esse paciente que está quase para morrer. Parece que por uma ligação política, ele não quer transferir o rapaz. Isso é maldade. Isso é castigar um deputado de oposição. Talvez seja o caso, porque eles não querem transferir o paciente. Estamos no aguardo para que esse Marcellus, que não posso chamar nem secretário, esse pedreiro da construção civil, faça alguma coisa por esse paciente que tem uma ordem judicial e ele não cumpre”, disse.

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